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Milhares de professores mostraram que “Coimbra é uma lição também na educação”

No distrito de Coimbra, 95% dos professores fizeram greve esta terça-feira. Mas a lição dos professores portugueses foi dada também noutros locais de norte a sul do país. Conheça aqui alguns dos pontos quentes da luta na educação esta terça-feira.
Manifestação em Coimbra. Foto Bloco de Esquerda/Coimbra.

Milhares de professores, mas também pais e alunos, manifestaram-se esta terça-feira em Coimbra. A greve dos docentes neste distrito atingiu os 95% de acordo com o secretário-geral da Fenprof, “a maior de sempre desde que me lembro”, disse.

Na ocasião, Mário Nogueira declarou que pediu ao Ministério da Educação “uma mesa negocial única, porque estamos todos a defender o mesmo”. O dirigente sindical considera que há “uma onda de contestação de tal ordem que, ou o Governo percebe que tem de valorizar os professores, respeitar os professores e dignificar a nossa profissão, ou a luta vai continuar porque ninguém vai parar uma onda destas e nós vamos continuar a ajudar a onda a crescer”.

Os presentes nas três marchas que a partir de vários pontos da cidade confluíram na Praça 8 de Maio cantaram que “Coimbra é uma lição”, contaram casos e desfiaram reivindicações que já se tornaram familiares. Ao Jornal de Notícias, Maria Manuel Mansilha, professora de Biologia há 27 anos explica que nunca passou do primeiro escalão da profissão que em alguns anos ganhava 1.020 euros “e gastava 500 em combustível e portagens. Com filhos pequenos, saía de casa às 6.45 horas e chegava às 19.30 horas”.

À TSF, Maria Aparecida, educadora de infância há mais de três décadas, acrescentar: “no início da carreira, praticamente percorremos o país todo e mesmo assim não conseguimos vincular”. Por isso, é uma das muitas que faz sua a palavra de ordem “respeito”.

O mesmo sente Helena Amado, professora do ensino especial, que disse à Lusa que as mudanças que têm acontecido nos últimos anos fazem que “as injustiças sejam gritantes”. E exemplifica: “quando nasceu o meu filho, eu estava no 5.º escalão e 20 anos depois continuo no mesmo escalão. Fazem alterações e mais alterações, mas são apenas medidas economicistas: isto chegou a um ponto em que ou ele dobra ou isto quebra”.

Também neste distrito, em Oliveira do Hospital, a Rádio Boa Nova, conta como as escolas do concelho voltaram a fechar e como se concentraram os profissionais da educação em frente ao agrupamento. O professor de Geografia Gabriel Azedo soma aí outra das razões que têm estado na base dos protestos: a municipalização que avalia como um “método errado” que pode levar a casos de “influência e cunhas”.

Para os bancos há milhões, para nós só há tostões”: no resto do país a luta da educação também continua

Em Setúbal, na Praça do Bocage, 600 pessoas, entre professores, auxiliares e alunos participaram numa concentração organizada por docentes de vários agrupamentos de escolas do concelho, Lima de Freitas, Sebastião da Gama, Luísa Todi e Ordem de Santiago (Bela Vista) a que se juntaram os das escolas não agrupadas D. Manuel Martins, D. João II e da Escola Secundária do Bocage.

Em Valença, perto de dois mil docentes e funcionários não docentes das escolas, de acordo com a Lusa, participaram esta terça-feira numa manifestação na Escola 2,3 Secundária Muralhas do Minho a que se seguiu um desfile. Aí se cantou: “para os bancos há milhões, para nós só há tostões”.

Um dos seus organizadores, Luís Braga, considera que “o presidente da República tem de intervir, necessariamente” porque “não há negociações efetivas para resolver as questões mais importantes. As negociações com o Governo estão a ser muito parciais e enviesadas.” Este docente fez uma “carta aberta” a Marcelo Rebelo de Sousa nesse sentido que recebeu, em 24 horas, perto de 6.500 assinaturas. À RTP, Paulo Cunha sublinha que trabalhadores docentes estiveram “presentes em força” e que por isso várias escolas da região fecharam.

Presente no mesmo protesto, o coordenador do STOP, André Pestana, destacou a “solidariedade” entre docentes e não docentes e considerou as suas exigências “coisas concertadas e realistas”, tendo em conta que “o pessoal não docente tem de trabalhar 120 anos para chegar ao topo da carreira” e ganha “salários de miséria” e que os professores exigem coisas como a recuperação integral do tempo de serviço congelado durante a ‘troika’ e o fim das quotas no acesso ao 5.º e 7.º escalões.

Em Cascais, as imagens da CMTV mostram dezenas de professores, meia centena na conta da jornalista no terreno, e muitos mais alunos em protesto. Cátia, uma das docentes, dá nota da falta de condições de uma escola que se diz digital mas onde “não há internet” e de uma “profissão desvalorizada”.

A RTP acrescenta a este mapa de lutas desta terça-feira Vila do Conde e Póvoa de Varzim, localidades entre as quais foi feito um cordão humano com “centenas de profissionais da educação”. Aí, Zélia Viana lamenta: “desde 2009 posso dizer que ando a pagar para trabalhar e acho que já chega”. E também no Pinhal Novo, em Palmela, os profissionais da educação de seis escolas fizeram um plenário conjunto na Praça da Independência que incluiu ainta os estudantes. Um deles explicou que “esta luta não é só dos professores também é nossa”.

Na Rádio Sines pode ouvir-se como dezenas de professores, alunos e pais se juntaram à porta da Escola de Cercal do Alentejo. Nesta escola continuam a faltar professores. Também no Alentejo mas na segunda-feira, escreve o Linhas de Elvas, os professores da Escola Secundária da Ponte de Sor fizeram uma concentração.

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