Está aqui

Milhares de britânicos nas ruas contra o custo de vida

O movimento Enough is enough luta por aumentos salariais reais, um corte nas faturas da energia, o fim da pobreza alimentar, alojamento decentes para todos e impostos para os mais ricos. Este sábado defendeu-se o congelamento do preço “não das pessoas” e queimaram-se faturas de eletricidade.
Protesto contra o aumento do custo de vida. Londres, outubro de 2022. Foto de: Enough is Enough.
Protesto contra o aumento do custo de vida. Londres, outubro de 2022. Foto de: Enough is Enough.

Enough is enough, que se pode traduzir como “demais é demais”, foi o grito que levou este sábado milhares de britânicos às ruas contra o aumento do custo de vida. A organização reivindica a presença de 100.000 pessoas nas manifestações em 50 cidades.

Este é o nome de um movimento que foi iniciado pelos sindicatos dos trabalhadores dos correios e ferroviários que têm protagonizado greves importantes ultimamente, vários movimentos sociais e dois deputados trabalhistas e que apresenta cinco reivindicações: um aumento real dos salários, um corte nas faturas da energia, o fim da pobreza alimentar, alojamento decente para todas as pessoas e impostos para os mais ricos.

Em Londres, o local da manifestação foram as imediações da estação de King’s Cross. Dave Ward, secretário-geral do CWU, sindicato dos trabalhadores dos correios britânicos, falou à multidão para sublinhar que também se está “a construir a maior greve em anos” porque “é sempre a classe trabalhadora que tem de pagar”. Criticou o discurso de defesa do “mercado”, sublinhando que “o mercado não vai manter os nossos filhos alimentados, não vai manter a nossa gente quente neste inverno”. Por sua vez Mick Lynch, dirigente do RMT, o sindicato dos ferroviários, exclamou que “não aceitaremos a austeridade seja quem for que a traga” e que “somos a classe trabalhadora e estamos de volta enquanto força nesta sociedade”. E o ex-líder trabalhista Jeremy Corbyn agradeceu ironicamente a Grant Shapps, ex-ministro de Boris Johnson e ex-candidato à liderança dos conservadores e a Liz Truss, a atual primeira-ministra, “pela sua arrogância, estupidez e como nos uniram”, uma referência também ao anúncio de cortes nos impostos para os mais ricos feito a semana passada pelo governo britânico.

Ativistas ambientais do Extinction Rebellion também participaram na manifestação antes de realizarem uma ação integrada no dia Just Stop Oil, contra a exploração de petróleo.

Congelar preços, queimar faturas

Com cartazes como “congelem os preços, não as pessoas”, nos protestos deste sábado assistiu-se mais uma vez à queima de faturas de energia, uma forma simbólica de protesto contra os aumentos de preços que se está a popularizar na sequência do surgimento de outro grupo que tem chamado a atenção, o Don´t Pay UK. Nascido de um apelo anónimo feito por um grupo de amigos, o movimento pretende fazer uma greve ao pagamento das faturas da energia assim que reúna um milhão de pessoas que se comprometa a fazê-la. Recolheu até ao momento cerca de 200.000 apoios. Exigem preços da energia justos e inspiram-se na luta contra o Poll Tax, no final dos anos 1980, início dos anos 1990, em que “mais de 16 milhões de de pessoas se recusaram pagar e se tornou impossível para o governo forçá-los a pagar”, segundo dizem na sua página de apresentação.

Termos relacionados Internacional
(...)