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Mil ambientalistas marcham através dos Alpes até Davos

Cerca de mil ambientalistas começaram uma marcha de três dias pelos Alpes em direção a Davos. Pretendem protestar contras as alterações climáticas no Fórum Económico Mundial. Apesar das autoridades quererem bloquear o acesso, os ativistas da Strike WEF dizem que vão continuar.
Ambientalistas marcham pelos Alpes até ao Fórum de Davos. Janeiro de 2020.
Ambientalistas marcham pelos Alpes até ao Fórum de Davos. Janeiro de 2020. Foto de Strike Davos.

A praça da estação, no pequeno município de Landquart, na Suíça, encheu-se de pessoas de várias nacionalidades. Pretendem, durante três dias, percorrer os cerca de 40 quilómetros que separam esta localidade de Davos, o sítio onde começa na próxima terça-feira a 50ª edição da cimeira dos poderosos, batizada como Fórum Económico Mundial.

As alterações climáticas são a causa que os une. Numa das faixas maiores que levaram podia ler-se: assim “crise climática: um fracasso económico global”. O apelo foi feito através do site Strike WEF onde se pode ler toda a informação sobre o evento. Dizem querer ir ao encontro das pessoas diretamente responsáveis pela injustiça global e pela catástrofe climática para lhes exigir uma “mudança de sistema”.

É provável que os caminhantes não cheguem a Davos, para onde não foram convidados. As autoridades anunciaram que apenas autorizaram as etapas iniciais do percurso e que irão barrar o acesso à estância de Davos, tal como sempre o fizeram a inúmeros outros grupos de manifestantes ao longo dos anos. Desta feita, os ativistas ameaçam continuar o percurso não enfrentando a polícia mas seguindo por trilhos ao longo dos Alpes.

O grupo de cerca de mil pessoas era variado. Desde os que chamam mais a atenção, como os vestidos de koalas, para recordar que o aquecimento global tem efeitos trágicos como os incêndios da Austrália que provocaram dezenas de mortos, milhares de deslocados e uma devastação ambiental sem precedentes no país, ou os palhaços do Clown Army, um grupo que desde a guerra do Iraque participa em protestos pela paz, justiça social e ambiental, até aos mais discreto que apenas levavam uma pancarta, As mensagens eram também elas diversas no tom e nos alvos: alguns optaram pelo já tradicional “não há planeta B”, enquanto outros apelavam “Make the world cool again”, ou eram mais irónicos escrevendo “eat the rich”, ou “ignoremos os Donalds, oiçamos as Gretas”.

Dez mil em Lausanne na sexta-feira

Uma referência a Trump e Greta Thunberg, ambos participantes no Fórum de Davos. A jovem ambientalista, antes de ir para a cimeira, marcou presença na manifestação de sexta-feira em Lausanne, na qual dez mil manifestantes juntaram a voz à luta pelo clima.

Greta Thunberg explicou então ao que vai nessa cimeira: “até agora nesta década não estamos a ver nenhum sinal qualquer que a verdadeira ação climática esteja a chegar. Isto tem de mudar. Isto é apenas o começo. Ainda não viram nada. Garantimos-vos isso!”

Enquanto isso, muitos outros manifestantes, que não entrarão na cimeira, cantavam: “um, dois, três graus! É um crime contra a humanidade!”

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