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Migrações: Marisa condena “resposta cínica e hipócrita” dos governos europeus

A eurodeputada do Bloco acusa alguns governos europeus, como o português, de terem branqueado as agendas xenófobas de outros governos na reunião do Conselho Europeu. “Vamos pagar um preço muito caro por aquilo que está a acontecer”, avisa.
Marisa Matias. Foto GUE/NGL.

Marisa Matias comentou esta sexta-feira na TVI24 a decisão da reunião do Conselho Europeu no sentido de dificultar ainda mais o acolhimento de migrantes e refugiados, financiando países fora da UE, como a Líbia, “para fazer o trabalho sujo de ‘outsourcing’ em sítios onde estas pessoas estão a ser maltratadas”.
 
“Não compreendo como é que os governos como o português podem assinar conclusões do Conselho Europeu onde as normas que são propostas são estas, completamente desumanas” e com propósitos eleitoralistas, afirmou a eurodeputada, classificando o documento como uma “resposta cínica e hipócrita”.

“Não podem branquear nem naturalizar as agendas seja da Hungria e da Polónia, da Eslováquia e da República Checa, seja de Salvini em Itália, seja da AfD na Alemanha” , defendeu Marisa Matias. Mas o que aconteceu foi o contrário  “e todos os governos parece que estão a fazer um gigante assobio para o ar e a fingir que isto não está a acontecer. Mas está a acontecer e nós vamos pagar um preço muito caro por aquilo que está a acontecer”, acrescentou.

“Angustia-me muito esta ideia de estarmos em 2018 e achar que é normal e aceitável que na Alemanha se criem campos para receber refugiados”, prosseguiu, atribuindo responsabilidades às políticas europeias pelo crescimento da extrema-direita em muitos países. A falta de respostas da UE em tempo de crise e desemprego e pobreza “traduziu-se numa descrença enorme nos ditames das instituições europeias e esse vazio foi ocupado por um discurso ainda mais simplista” e falso, que Marisa resumiu assim: “a culpa de não terem emprego não é de termos feito uma gigantesca transferência de recursos para o setor financeiro, mas é de gente que procura a UE para buscar trabalho”.

“Falta de solidariedade europeia é baseada em mentiras”

Para Marisa, a falta de solidariedade evidenciada no Conselho Europeu “é baseada numa mentira”, a de que existe uma enorme vaga de migração. “São os próprios números do Conselho que mostram que a imigração dita legal caiu 44% desde 2015 e as chegadas ditas ilegais, seja de refugiados ou migrantes económicos, caiu 95%”, ou seja, “de um milhão para 45 mil pessoas” prosseguiu, saudando a atividade das ONG que apesar de criminalizadas continuam a resgatar vidas no Mediterrâneo. “É essa prova de humanidade que a UE não está a dar”, sublinhou
 
Por outro lado, o argumento de que não há recursos para o acolhimento também cai por terra quando se decide aumentar o patrulhamento e a segurança com mais dez mil agentes. “Daqui a pouco temos quase um polícia por cada migrante que tente chegar”, ironizou Marisa, concluindo que afinal “não é uma questão de recursos, é de vontade política”.

 

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