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Microplásticos: cada pessoa ingere 50 mil partículas por ano

Primeiro estudo a estimar a ingestão humana de microplásticos calculou que cada pessoa ingere em média 50 mil partículas por ano. Efeitos na saúde humana ainda não são conhecidos.
Recipiente com amostras de microplásticos. Foto Florida Sea Grant/Flickr.
Recipiente com amostras de microplásticos. Foto Florida Sea Grant/Flickr.

Cada pessoa ingere em média 50 mil partículas de microplásticos e inala outras tantas. É uma estimativa inicial publicada esta semana na revista Environmental Science and Technology, num meta-estudo que reúne e sistematiza os dados de 26 estudos anteriores e faz a primeira estimativa da ingestão de microplásticos por humanos. De efeitos adversos na saúde ainda pouco se sabe, pois só agora os cientistas começam a investigar a questão.

Os microplásticos são as partículas minúsculas que resultam da desagregação do plástico: largado na natureza, o plástico fragmenta-se pela ação dos elementos em partículas cada vez mais pequenas. Quando estas têm um comprimento inferior a 5 milímetros, são consideradas microplásticos. Quimicamente, continuam a ser plástico, mas com a sua pequena dimensão esta partículas introduzem-se em locais antes inacessíveis, por exemplo nos organismos vivos.

Nos últimos anos, os cientistas começaram a conseguir detetar melhor os microplásticos. Multiplicaram-se desde então os artigos a descobrir estas partículas no solo, nos rio, nos oceanos, na atmosfera. Outra linha de investigação começou a detetá-las em alimentos de consumo humano, como a água (de torneira e engarrafada), peixes e mariscos, sal, cerveja, entre outros. Em outubro do ano passado, um artigo detetou-as pela primeira vez em fezes humanas, confirmando a hipótese de que o organismo humano as ingere.

O meta-estudo agora publicado pega nos dados de trabalhos anteriores sobre os níveis de microplásticos na atmosfera e numa série de alimentos (peixes, moluscos, açúcar, sal, cerveja, água), nas diretrizes públicas sobre alimentação dos EUA, e a partir destas duas fontes faz uma estimativa sobre quantas partículas cada pessoa ingere num ano: 50 mil para os adultos, 40 mil para as crianças. Esta estimativa é preliminar e por baixo, pois o conjunto de alimentos testados é muito reduzido em relação ao que um cidadão médio consome. A haver revisões ao número, acrescentando estudos sobre outros alimentos, será para cima.

Kieran Cox, um dos autores do estudo, enfatizou que os resultados devem estimular mais investigação sobre o tema mas não alarmismos excessivos, pois os efeitos dos microplásticos na saúde não são conhecidos. É possível que causem problemas de saúde, é também possível que o organismo humano os processe sem grandes problemas — tudo está em aberto e em investigação nesta fase. Uma fonte de microplásticos já bem estudada é a água engarrafada: quem a consome está exposto a 130 mil partículas por ano, 22 vezes mais que as 4 mil partículas de quem consome água da torneira. Não fiando, Cox afirmou ao Guardian que após este trabalho tinha passado a beber muito mais água da torneira.

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