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MICAR regressa ao Porto de 7 a 9 de outubro

Durante três dias, o Teatro Municipal Rivoli, no Porto, vai acolher a Mostra Internacional de Cinema Anti-Racista. Do programa constam a exibição de obras cinematográficas, debates e sessões destinadas ao público mais jovem, bem como uma exposição de André Carrilho.

A apresentação da Mostra Internacional de Cinema Anti-Racista (MICAR) convida-nos a uma reflexão sobre centro e periferia, sobre a racialização dos povos e das pessoas e a propagação de “discriminações, desigualdades e opressões”.

“Centros e periferias, locais e globais, marcam as fronteiras entre comunidades, regiões e povos, e promovem a organização espacial e simbólica de desigualdades múltiplas, a dispersão não-aleatória de condições materiais de vida e da sujeição dos corpos a formas distintas de controlo. Do centro para a periferia cresce a pobreza, a coerção disciplinar das instituições do(s) Estado(s), a violência policial, o abandono de cada um e cada uma à sua sorte”, escreve o SOS Racismo, que promove a MICAR.

A associação antirracista refere como “desprezo, coerção e violência” se tornam “especialmente reconhecíveis nas fronteiras físicas” da Europa Fortaleza, na “contenção violenta permitida e/ou promovida por países europeus e instituições europeias, seja na Turquia ou na Grécia, no abandono de pessoas sem direitos em prisões financiadas na Líbia, ou à morte no Mediterrâneo”.

“Transmutam-se no centro em muros e cercas de arame farpado entre países, em centros de detenção, nas esperas por documentos, e por direitos, e reconfiguram-se ainda, mais localmente e quotidianamente, em mais obstáculos à mobilidade e acesso, em desigualdades educacionais, em piores empregos, em penas de prisão mais pesadas, na sujeição a maior exploração e violência quer simbólica, quer material”, escreve o SOS Racismo.

Sublinhando que “do centro para a periferia racializam-se os povos e as pessoas, distribuem-se discriminações, desigualdades e opressões”, a associação explica que, este ano, a MICAR “propõe-se a questionar o centro, a abrir buracos nas suas fronteiras, mostrar a violência e o racismo de que são feitas”.

A mostra de cinema pretende ainda “ajudar-nos a confrontar o centro, os seus discursos e as racionalizações das desigualdades que propagam, tornar visível o privilégio  e a exploração que os mantêm em pé, bem como “a impelir-nos a abrir o espaço da fronteira ao reconhecimento, reparação e afirmação das periferias, a criar um espaço de diálogo e possibilidade política, de expressão, de colaboração, de ação transfronteiriça, por uma sociedade mais justa e mais igual”.

O programa da MICAR inclui, logo manhã de dia 7, sessões para o público mais jovem, com os filmes Dúdú e o lápis cor da pele, de Miguel Rodrigues, Migrants, de H. Caby, L. Lermytte, Z. Devise, A. Dupriez, A. Kubiak, Senhelo Calhim, de CCDEA – UCP e Flee, de Jonas Poher Rasmussen.

Ainda na sexta-feira, pelas 18h15, terá lugar uma homenagem a Sidney Poitier, com a exibição do filme Adivinha quem vem jantar, de Stanley Kramer. Pelas 21h15, passará o filme Alcindo, de Miguel Dores, seguido de debate com o realizador.

Já no sábado, a MICAR começará pelas 15h15 com uma sessão para as famílias, exibindo Mur Murs, de Agnès Varda, seguindo-se, pelas 17h15, Distopia, de Tiago Afonso, com um debate no final que reunirá o realizador e Rita Alves. Às 19h15, Pedro Neves irá apresentar o seu filme Tarrafal e, às 21h15, será exibido Espero tua (Re)Volta, de Eliza Capai, com conversa com Luca Argel no final.

No domingo, a MICAR reabrirá as portas às 15h15 com a sessão de curtas, que inclui The Wait, de Nayeem Mahbub, Jamaika, de José Sarmento Matos, e Meeting the Man: James Baldwin in Paris, de Terence Dixon.

Às 17h15, passará o filme Nós viemos, de José Vieira, ao qual se seguirá um debate com a organização Humans Before Borders. Fordlândia Malaise é a obra cinematográfica agendada para as 19h15. A sua realizadora, Susana de Sousa Dias, estará presente para um debate com o público. A sessão de encerramento da MICAR ocorrerá pelas 21h15, com o filme Soleil Ô, de Med Hondo.

Todas as sessões são gratuitas, embora sujeitas a levantamento prévio de bilhetes através dos canais oficiais do Rivoli.

A MICAR contará também uma exposição de André Carrilho:

"Em 2021, André Carrilho, ilustrador, cartunista, animador e caricaturista, vencedor de inúmeros prémios e publicado em várias revistas, nacionais e estrangeiras, colaborou no «Dicionário da Invisibilidade», editado pelo SOS Racismo, com 20 ilustrações de mulheres e homens esquecidos/as e apagados/as da memória coletiva. O «Dicionário da Invisibilidade» traz à luz as lutas de milhões de mulheres e homens de quem o colonialismo e a opressão conseguiram ocultar a existência e fazê-los literalmente, desaparecer".

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