Metas obsessivas de Bruxelas são incompatíveis com investimento em setores estratégicos

27 de maio 2018 - 15:27

Marisa Matias afirmou que o Bloco está sempre disponível para “convergir naquilo que melhorar a vida dos portugueses”, mas sublinhou que é preciso enfrentar “as regras impostas por Bruxelas que não nos deixam investir em setores estratégicos, como a Saúde e a Escola Pública.

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No final do congresso do Partido Socialista, Marisa Matias adiantou que o Bloco viu “neste congresso um discurso muito autocentrado, com o acolhimento de muitas conquistas que não são necessariamente integradas no programa eleitoral inicial do PS”.

“É verdade que muitas daquelas que foram conquistas recentes na sociedade portuguesa e que resultaram dos acordos com os partidos à esquerda foram capitalizadas pelo PS como se fossem medidas do PS”, assinalou.

A dirigente bloquista deu o exemplo do aumento das pensões, que “não constava do programa do PS” e “foi graças a esses acordos que se conseguiram essas conquistas”.

Marisa Matias referiu ainda que o Bloco “gostaria de ter ouvido coisas mais concretas”.

“Gostaríamos de ter ouvido, por exemplo, como é que é possível compatibilizar propostas de mais investimento em setores estratégicos da sociedade - e que tão necessários são porque ainda há tanto para fazer na saúde, educação, em tantas áreas fundamentais da sociedade - ao mesmo tempo que se responde às metas obsessivas Bruxelas, porque elas são incompatíveis”, vincou.

De acordo com Marisa Matias, o Bloco está sempre disponível “para convergir com o PS naquilo que melhorar a vida dos portugueses, mas obviamente precisamos de investimento e, para termos investimento, para podermos incrementar essas medidas, precisamos de enfrentar muito diretamente aquilo que são as normas e as regras que são impostas por Bruxelas que não nos deixam investir e não nos deixam melhorar a condição de vida das pessoas”.

Reforçando a disponibilidade do Bloco para “discutir todas as medidas”, onde se incluem o reforço do Serviço Nacional de Saúde, da Escola Pública, Marisa Matias insistiu que estas precisam de investimento, mas “a equação mais investimento, tratar melhor os portugueses e os serviços públicos ao mesmo tempo que se responde obsessivamente às metas de Bruxelas é uma equação impossível”.

Neste contexto, é preciso “fazer escolhas” e o Bloco escolhe “as medidas que favorecem a vida dos portugueses”.

No que respeita às próximas eleições, Marisa Matias referiu que o Bloco “tentará reforçar a sua posição, o seu papel”, que considera “tem sido positivo” para os portugueses.