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Mentor dos cortes na saúde tem buraco de 100 milhões no currículo

José António Mendes Ribeiro, o coordenador do grupo de trabalho que entregou, esta segunda-feira, o plano dos cortes a aplicar no SNS, encomendado pelo Ministro da Saúde, presidiu o Grupo Português de Saúde, o qual abandonou com um passivo de 100 milhões de euros.
O grupo coordenado por José Mendes Ribeiro propõe que o Hospital Oriental de Lisboa avance em regime de Parceria Público-Privada (PPP). Foto de Paulete Matos.

O Ministro da Saúde, Paulo Macedo, foi certeiro na sua escolha para coordenador do grupo de trabalho para a Reforma Hospitalar: nomeou o economista José António Mendes Ribeiro, o qual, quando saiu do Grupo Português de Saúde (2004-2007), ao qual pertence o British Hospital, deixou um passivo de cerca de 100 milhões de euros.

O British Hospital pertence ao Grupo Português de Saúde desde o início dos anos 1980. Este grupo, por sua vez, pertence ao universo da Sociedade Lusa de Negócios, a tal que também tinha um banco, o falido BPN.

O BPN serviu para financiar a compra do British Hospital, um negócio que se revelou mais tarde um grande fiasco: entre 1999 e 2009, o British recuou de uma média anual de 12 mil consultas para cerca de 1800.

Recentemente, o Ministro da Saúde foi questionado pelo deputado do Bloco João Semedo acerca dos critérios para a escolha de José António Mendes Ribeiro. Na altura, Paulo Macedo respondeu enfaticamente que “não há percursos perfeitos”.

Doentes "não urgentes" fora das urgências e gestão única dos IPO

O grupo coordenado por José Mendes Ribeiro entregou esta segunda-feira ao Ministro da Saúde, Paulo Macedo, todas as propostas do seu grupo de trabalho para a Reforma Hospitalar que, segundo a imprensa, prevê que o Hospital Oriental de Lisboa avance em regime de Parceria Público-Privada (PPP), a possibilidade de atender os doentes triados como “não urgentes” fora das urgências hospitalares e a criação de um único Instituto Português de Oncologia (IPO).

O texto, que prevê dar liberdade aos utentes para escolher o hospital independentemente do seu local de residência, defende ainda a possibilidade de serem elaborados contratos-programa plurianuais a três anos, quando atualmente duram apenas um ano. O grupo técnico pretende também que o hospital Curry Cabral e a Maternidade Alfredo da Costa sejam integrados no Centro Hospitalar de Lisboa Central, composto pelo São José, Santa Marta, Capuchos e Estefânia.

Entre as outras propostas apresentadas, o grupo de trabalho sugere que as consultas de especialidades hospitalares sejam feitas em centros de saúde, que sejam transferidas atividades da área médica para a de enfermagem e que seja promovida a mobilidade dos profissionais de saúde.

O relatório, que defende uma redução da taxa de cesarianas, diz igualmente que existe uma má distribuição de médicos, camas e blocos operatórios e assinala que dos 19 mil médicos que trabalham nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde 2337 devem ser transferidos para outro local.

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