Está aqui

Memórias: Miriam Makeba

No dia 10 de novembro de 2008, faleceu Miriam Makeba. Foi uma cantora sul-africana e ativista na luta pelos direitos humanos e contra o racismo.  Por António José André.
Miriam Makeba - Foto de Tom Beetz | Flickr

Miriam Makeba nasceu a 4 de Março de 1932, em Joanesburgo (África do Sul). Nos anos 1950, começou a participar no grupo Manhattan Brothers, cantando uma mistura de blues com ritmos tradicionais sul-africanos.

Em 1960, participou no documentário anti-apartheid "Come Back, Africa" e esteve presente no Festival de Veneza. A receção que teve na Europa e o que enfrentava na África do Sul fizeram com que resolvesse não regressar ao seu país.

Em Londres, Miriam Makeba encontrou-se com Harry Belafonte (cantor e ator afro-americano), que seria responsável pela entrada de Makeba no mercado norte-americano. Através de Belafonte, gravou vários discos de grande popularidade.

A sua canção "Pata Pata" tornou-se um sucesso mundial. Em 1966, os dois ganharam o Prémio Grammy (categoria de música folk) com o disco "An Evening with Belafonte/Makeba".

Em 1963, depois do seu testemunho sobre as condições dos negros na África do Sul perante o Comité contra o Apartheid da ONU, Miriam Makeba viu os seus discos e a sua nacionalidade banidos do país por parte do governo racista.

Em 1968, casou-se com Stokely Carmichael (ativista do Black Power e porta-voz dos Panteras Negras), o que levou ao cancelamento dos seus contratos de gravação e das suas digressões artísticas.

Miriam Makeba e Carmichael foram viver para a Guiné-Conakry, tornando-se amigos do presidente Sékou Touré. Nos anos 1980, foi delegada da Guiné-Conakry junto da ONU e recebeu o Prémio da Paz "Dag Hammarskjöld". Em 1973, separou-se de Carmichael.

Continuou a dar espetáculos em África, na América do Sul e  na Europa. Em 1975, participou nas cerimónias da independência de Moçambique, onde cantou "A Luta Continua".

Oiça aqui:

Em 1985, morreu a sua única filha e Miriam Makeba foi viver para a Bélgica. Em 1987, participu no disco de Paul Simon "Graceland" e na digressão que se seguiu.

Em 1990, com o fim do regime do apartheid e a revogação das respetivas leis, regressou à sua pátria, a pedido do presidente Nelson Mandela. Na África do Sul, participou em 2 filmes de sobre a época do Apartheid e a Revolta do Soweto, ocorrida em 1976.

Em 2001, Miriam Makeba recebeu a Medalha de Ouro da Paz "Otto Hahn". Ela continuou a participar em concertos em todo o mundo. Os seus últimos álbuns gravados foram: "Keep Me In Mind" (2002) e "Reflections" (2004).

Makeba faleceu a 10 de novembro de 2008, no hospital de Castel Volturno (Itália), vítima de paragem cardíaca após ter participado num concerto de apoio ao escritor Roberto Saviano. Este autor tinha sido ameaçado de morte pela máfia, por ter publicado o livro Gomorra (2007).

Termos relacionados Memórias, Cultura
(...)