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Memórias: Marco Ferreri

No dia 9 de maio de 1997, faleceu Marco Ferreri. Foi um realizador de cinema e ator italiano. O seu trabalho foi pautado pelo humor negro e pela crítica aos mitos sociais contemporâneos. Por António José André.
Marco Ferreri, ator e realizador de cinema, morreu no dia 9 de maio de 1997
Marco Ferreri, ator e realizador de cinema, morreu no dia 9 de maio de 1997

Marco Ferreri nasceu a 11 de maio de 1928, em Milão. Durante a sua juventude, estudou Medicina Veterinária na Universidade de Milão. Não concluíu o curso por causa do seu interesse pela Sétima Arte.

Os primeros contactos de Ferreri com o cinema foram enquanto estudava Medicina Veterinaria e trabalhava para uma empresa de licores. Esse emprego levou-o a produzir spots publicitários dessas bebidas.

Marco Ferreri foi diretor de produção e começou a fazer filmes para o humorista Rafael Azcona. Em 1950, colaborou nas filmagens de "Cronaca di un Amore", de Michelangelo Antonioni.

Em 1951, Ferreri fundou com Riccardo Ghione uma revista sobre cinema "Documento Mensile", que contou com a colaboração de gente célebre: Alberto Moravia, Luchino Visconti e Vittorio de Sica.

Até 1958, Ferreri dedicou-se à publicação e divulgação dessa revista e à produção de filmes de baixo orçamento.

Em 1959, estreou-se como realizador, em Espanha, onde filmou "El Pisito". Até 1968, muitos dos seus filmes foram afetados pela censura. Entre eles contou-se "Una Storia Moderna" (1963), protagonizado por Ugo Tognazzi. Em 1969, teve sucesso de bilheteira com o filme "Dillinger É Morto".

Marco Ferreri procurou impor uma forte carga filosófica nos seus filmes. O seu trabalho foi pautado pelo humor negro e pela crítica aos mitos sociais contemporâneos. Conseguiu-o com o filme "Liza, a Submissa" (1972), uma sátira protagonizada por Catherine Deneuve e Marcello Mastroianni.

O filme que lhe trouxe reconhecimento internacional foi "A Grande Farra" (1973). Apesar de ter feito uma crítica à sociedade de consumo, o filme foi um sucesso internacional. Em Portugal, o filme só foi exibido após o 25 de abril.

Marco Ferreri gostava de ser polémico. Em "A Última Mulher"(1976), filmou uma cena de autocastração de um engenheiro. Em "Ciao Maschio" (1978), contou a história de um iluminador teatral que se suicida por não conseguir enfrentar a gravidez da namorada e a morte do seu macaco de estimação.

Em 1983, Ferreri voltou a trabalhar com Marcello Mastroianni no filme "A História de Piera". Em 1996, dirigiu o seu último filme "Nitrato d'Argento".

Marco Ferreri faleceu, em Paris, a 9 de maio de 1997.

Artigo de António José André, para esquerda.net

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