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Memórias: Howard Zinn

No dia 27 de janeiro de 2010, faleceu Howard Zinn: historiador, dramaturgo e cientista político norte-americano. Zinn foi uma figura proeminente nos movimentos pacifista e anti-guerra, bem como na defesa dos direitos e liberdades civis. A sua vida pessoal ficou inevitavelmente ligada à sua obra. Por António José André.
Foto de howardzinn.org.

Zinn era filho de imigrantes judeus da Europa Central. Essa origem percorreu a sua vida e obra. Durante a II Guerra Mundial incorporou-se na força aérea norte-americana e participou no bombardeamento "experimental" de Royan (mais tarde, chamado de napalm). Essa missão transformou-o num pacifista resoluto.

Após a II Guerra Mundial, estudou história, defendendo um doutoramento e lecionou em várias universidades. Nunca hesitou em empenhar-se em manifestações, por vezes, duramente reprimidas. Lutou contra a segregação racial e contra a Guerra do Vietname.

Em 1980, publicou “História popular dos Estados Unidos”, obra traduzida em numerosas línguas e adaptada para crianças em desenhos animados. O livro mudou toda a percepção da historiografia norte-americana ao desmontar a sua versão oficial e heróica.

Zinn dedicou, entre outras peças de teatro, uma a Emma Goldman, militante anarquista do começo do século XX, que foi expulsa dos EUA para a Rússia revolucionária.

A influência de Howard Zinn no seu país e no mundo, foi imensa. A partir de 2003, multiplicou conferências e posicionamentos públicos contra as diferentes intervenções norte-americanas e, em particular, contra a invasão do Iraque.

Zinn não era pessimista. Repetia que as liberdades tinham progredido nos EUA, depois da IIª Guerra Mundial, mas o povo poderá impor dentro de alguns anos as mudanças que se julgavam impossíveis.
 
Como tributo a Zinn, pode escutar "Down", canção dos Pearl Jam que conviveram com ele.

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