Está aqui

Memórias: Éric Satie

No dia 1 de julho de 1925, morreu Éric Satie. Foi um compositor, escritor e pianista francês. Ireeverente e excêntrico, foi precursor da música ambiente, do teatro do absurdo e do minimalismo. Por António José André.
Éric Satie
Éric Satie em 1900. Foto Wikimedia Commons/Life Photo Archive

Éric Satie nasceu a 17 de maio de 1866, em Honfleur (Normandia - França). Em 1873, morreu a sua mãe, Jane Leslie Aston. O pai, Jules Alfred Satie, foi viver para Paris. Satie foi criado pelo seu tio boémio, Adrien Satie.

Em 1878, Satie mudou-se para Paris. Em 1880, ingressou no Conservatório, onde foi considerado preguiçoso e sem o menor senso de ridículo. Em 1890, Satie foi morar num pequeno quarto, em Montmartre.

Tornou-se pianista no cabaré "Chat Noir", onde se apresentou como "gymnopedista". Termo que deriva do antigo festival grego "Gymnopaedia", dedicado ao deus Apolo.

Nesse cabaré, Satie trabalhou com o humorista, Alphonse Allais, que o apelidou "Esotérik Satie". A sua música era apreciada por poucos e desprezada pela maioria dos compositores e críticos musicais.

Em 1891, Satie entrou para a Ordem Cabalística da Rosa-Cruz (instituição esotérica). Insatisfeito, fundou a "Eglise Métropolitaine d' Art de Jésus Conducteur" ("Igreja Metropolitana de Arte de Jesus como Guia"), da qual era o único membro.

Em 1898, Satie deixou Montmartre e foi viver para um quarto no subúrbio industrial de Paris. Caminhava diariamente 9 quilômetros para ir tocar em Montmartre. Em 1905, surpreendeu todos, quando resolveu voltar a estudar.

Com 40 anos, ingressou na Schola Cantorum de Paris. Estudou contraponto e orquestração, abandonando por algum tempo a vida boémia. Em 1908, Satie recebeu o diploma com a avaliação de "muito bom".

Satie decidiu voltar a compor, regressando à vida noturna de Paris. As suas peças eram originais e inspiradas no ambiente de bares e cabarets. A partir de 1911, a sua música começou a ganhar atenção.

Em 1917, Satie compôs "Parade"[1], concebido para o Ballet Russes de Serguei Diaguilev, incorporando sons de uma máquina de escrever, uma sirene e um tiro de pistola. Jean Cocteau escreveu o argumento.

Pablo Picasso tratou do cenário e do guarda roupa. Nessa peça, apareceu pela primeira vez o termo surrealismo, usado por Guillaume Apollinaire, que mais tarde designou um movimento artístico e literário.

Em 1918, Satie escreveu a ópera "Socrate", um drama com textos de Platão, traduzidos por Victor Cousin. Esta obra marcou uma mudança no seu estilo. Satie foi mentor do grupo "Les Six", banda de vanguarda que reagiu contra o romantismo e o impressionismo na música e tinha a supervisão de Cocteau.

Após anos de boémia, Satie morreu a 1 de julho de 1925. Irreverente e excêntrico, teve influência no cenário da vanguarda parisiense do início do século XX.

Foi precursor da música ambiente, do teatro do absurdo e do minimalismo. A sua primeira peça "Vexations" (1893) tinha 32 compassos que se repetiam 840 vezes. Além de compor, gostava de escrever e fazer caricaturas, que revelavam o seu estilo irónico.

Nota:

1 - Pode escutar aqui:

"Parade" by Erik Satie (Audio + Sheet Music)

Termos relacionados Memórias, Cultura
(...)