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Memórias: Carlos Lamarca

No dia 23 de outubro de 1937, nasceu Carlos Lamarca. Foi um militar brasileiro e um dos dirigentes da luta armada contra a ditadura militar instaurada, em 1964. "Ousar lutar, ousar vencer”, era assim que terminava os seus textos. Por António José André.
Memórias: Carlos Lamarca

Carlos Lamarca nasceu no Rio de Janeiro, a 23 de outubro de 1937. Era filho de um carpinteiro. Fez o Ensino Secundário num Colégio de padres e, depois, entrou na Escola Preparatória de Cadetes, em Porto Alegre. 

Em 1955, Lamarca foi transferido para a Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (Rio de Janeiro). Em 1960, chegou a aspirante a oficial. Depois foi colocado no 4º Regimento de Infantaria, em Quitaúna (S.P.). 

Lamarca foi enviado para as Forças de Paz da ONU, na Palestina. Essa experiência marcou-o quanto às injustiças sociais. Ao chegar ao Brasil, foi colocado na Polícia do Exército (Porto Alegre), quando ocorreu o golpe militar de 1964. 

Em 1965, Lamarca voltou para Quitaúna. Em 1967, foi promovido a capitão. Entretanto, fez contactos com grupos de esquerda que defendiam a luta armada para derrubar a ditadura instalada com o golpe de 1964

Em 24 de janeiro de 1969, Lamarca deixou o quartel de Quitaúna (S.P.), com 63 espingardas, algumas metralhadoras e muitas munições para se juntar à organização clandestina Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Quando deixou Quitaúna, separou-se da mulher e dos filhos, enviados para Cuba na véspera da sua deserção.

Lamarca tornou-se um dos mais ativos militantes da luta armada contra o regime militar. Viveu clandestinamente 10 meses, em São Paulo, antes de seguir para o Vale da Ribeira com 16 militantes para começarem o treino de guerrilha. 

Em maio de 1970, o Vale da Ribeira foi cercado por tropas do Exército e da Polícia Militar. Houve combates, mas Lamarca conseguiu escapar. Nessa operação, foram presos quatro guerrilheiros. 

Lamarca participou em diversas ações, como assaltos a bancos, e  comandou o rapto do embaixador suíço no Brasil, Giovanni Enrico Bucher, no Rio de Janeiro. Depois, fugiu para a Baía. 

Lamarca voltou para São Paulo, planeando e comandando ações armadas. Ficou 2 anos e 8 meses na clandestinidade. Em 1971, saiu da VPR e passou a fazer parte do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). 

Em junho de 1971, Lamarca foi para o sertão da Baía com a missão de estabelecer uma base do MR-8. Em agosto desse ano, com a prisão de um militante em Salvador, que conhecia o seu paradeiro, começou o cerco à região, por parte das forças integrantes da “Operação Pajuçara”,

Depois de um tiroteio entre essas forças e Zequinha, que acompanhava Lamarca já adoentado, os dois iniciaram uma fuga, percorrendo cerca de 300 quilómetros, em 20 dias. Em 17 de setembro de 1971, Lamarca e Zequinha foram fuzilados, em Ipupiara (Baia). 

Essa operação foi uma das mais violentas, sobretudo em Buritis, onde houve torturas e assassinatos na praça pública e diante da população. 

Em 2007, a Comissão de Amnistia do Ministério da Justiça concedeu a patente de coronel do Exército a Carlos Lamarca e o estatuto de perseguidos políticos à sua esposa, Maria Pavan Lamarca, e aos dois filhos. Em 2010, acatando uma ação do Clube Militar, a juíza Cláudia Maria Pereira Bastos Neiva suspendeu a decisão da Comissão de Amnistia.  

Carlos Lamarca tinha 34 anos, quando morreu. "Ousar lutar, ousar vencer”, era assim que terminava os seus textos.

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