Segundo o divulgado num programa do canal de televisão espanhol Antena 3, quatro membros do grupo “La Manada” enfrentam um processo por abuso sexual e delitos contra a intimidade. Os acusados são Alfonso Jesús Cabezuelo, Jesús Escudero, Antonio Manuel Guerrero e José Ángel Prenda e o alegado crime terá ocorrido dois meses antes da violação coletiva de uma jovem inanimada nas festas populares de São Firmino.
O caso remonta a maio de 2016, quando os quatro membros do grupo deram boleia a uma jovem de 21 anos num trajeto de automóvel entre as localidades de Torrecampo e Pozoblanco. O Tribunal de Córdoba deu início à investigação deste caso quando um membro do quarto Tribunal de Instrução de Pamplona comunicou a existência de um vídeo onde se podiam ser “sérios indícios” de “abusos sexuais não consentidos” de uma jovem que aparentava estar drogada. Na sequência do início deste processo, o Tribunal decretou que os quatro homens deverão manter uma distância de até 500 metros da alegada vítima.
À semelhança do que ocorrera no caso da violação da jovem e cuja sentença causou revolta em todo o Estado Espanhol, este vídeo foi partilhado num grupo da aplicação WhatsApp. No vídeo, um dos membros grava os outros três homens a beijar, tocar e rir-se da vítima “completamente nua no banco de trás” e “profundamente inconsciente”.
Segundo o que se pode ler no auto do tribunal, a dada altura, a jovem veste-se e tenta ir para o banco do copiloto, sendo agredida “duas vezes na cara e outra no braço” ao recusar-se a praticar sexo oral a um dos homens.
Os membros do grupo “La Manada” tornaram-se conhecidos em todo o Estado Espanhol na sequência da violação coletiva de uma jovem numas festas populares em Pamplona. Embora a acusação tivesse pedido penas de 22 a 25 anos por violação, o tribunal condenou os cinco homens a penas de nove anos de prisão, não tendo considerado que tenha ocorrido uma violação, mas sim um caso de abuso sexual. Um magistrado chegou inclusive a pedir a absolvição dos acusados por encontrar indícios de “excitação sexual” na vítima. A jovem, à época com 18 anos, explicou que o ato não foi consentido e que só não se debateu mais porque entrou em “estado de choque” e “não sabia o que fazer”. “Só queria que tudo acabasse depressa e então fechei os olhos para não ter de ver nada”, afirmou em tribunal.
Ao ficar conhecida a sentença, o movimento feminista em Espanha saiu às ruas sob o lema “é violação, não é abuso” para condenar a distinção feita pelo tribunal. A hashtag #YoTeCreo tornou-se viral no país e até a ONU repudiou a sentença por “subestimar a gravidade da violação”. O caso da condenação dos membros da Manada apresenta semelhanças com a decisão do Tribunal da Relação do Porto que considerou não ter havido violação, mas sim abuso sexual, no caso da mulher inanimada e abusada sexualmente por dois funcionários de uma discoteca em Vila Nova de Gaia, desvalorizando a gravidade do ato por um alegado “clima de sedução mútua”.