Está aqui

Mélenchon aponta “derrota total” de Macron com fim da maioria absoluta

A segunda volta das legislativas francesas saldou-se por uma derrota do campo presidencial e um crescimento forte da esquerda. A extrema-direita também canta vitória.

Este domingo, na segunda volta das eleições legislativas, o presidente francês perdeu a maioria absoluta de que dispunha no parlamento. Os resultados quase finais, faltando contabilizar poucos votos dos franceses residentes no estrangeiro, correspondentes a 11 mandatos, indicam que o campo presidencial terá 238 deputados, a NUPES, aliança de esquerda e ecologista alcançará 141, outros candidatos de esquerda terão 13 mandatos, e a União Nacional, o partido de extrema-direita liderado por Marine Le Pen passa de oito deputados para 89. A direita tradicional conseguirá 72 deputados. E o que poderia ser uma derrota enorme, ser menorizada pela extrema-direita, pode ser transformado num mal menor porque Republicanos e outros deputados de direita podem ser o fiel da balança no próximo parlamento. A abstenção foi elevada, na casa dos 54%.

Com o presidente a remeter-se ao silêncio na noite eleitoral, os restantes protagonistas falaram cedo. Jean-Luc Mélenchon, que não concorria em nenhum círculo eleitoral, falou de uma “situação “totalmente inesperada e inaudita”. Para ele, “a derrota do partido presidencial é total e nenhuma maioria se apresenta”.

O ex-candidato presidencial dá assim por atingido o objetivo de fazer recuar o campo macronista. E, sobre o seu envolvimento político futuro, declarou: “mudo de posto de combate mas a minha militância continuará até ao meu último fôlego na frente de combate se vocês o quiserem”.

Apesar de não ter conseguido alcançar o lugar que visou, o de primeiro-ministro, Mélenchon diz que a NUPES não deve deixar de ambicionar ser governo: “nenhum esquema, nenhum arranjo nos privará desta responsabilidade”.

72% do eleitorado de Macron absteve-se nos duelos entre esquerda e extrema-direita

Na extrema-direita o ambiente também é de festa. De terceiro excluído no campo mediático e político dada a disputa entre Mélenchon e Macron, este campo político passou a beneficiar da diabolização da esquerda e do apagamento da direita gaullista para conseguir passar de oito para cerca de 89 deputados, segundo as primeiras projeções, o que é seu o resultado mais elevado de sempre.

Marine Le Pen cantou vitória pelo resultado “histórico” e diz que conseguiu alcançar os três objetivos do partido: colocar Macron em minoria, continuar uma “recomposição política indispensável” e “constituir um grupo de oposição determinante” face aos “destruidores a partir de cima, a “macronia”, e os destruidores a partir de baixo, a extrema-esquerda”.

A reação aos resultados do presidente dos Republicanos, Christian Jacob, fez esfriar os ânimos dos que, como o antigo ministro Jean-François Copé, pediam a Macron um "pacto de governo" à direita. "Nos que nos diz respeito, fizemos campanha na oposição, estamos na oposição e continuaremos na oposição", afirmou Jacob, classificando a posição de Copé como a sua opinião "pessoal".

Na noite eleitoral, o politólogo e diretor da Ipsos, uma das maiores empresas de sondagens do mundo, comentou no canal France 2 o comportamento do eleitorado de cada partido nos diferentes duelos eleitorais desta segunda volta. Segundo Brice Teinturier, nos círculos em que a decisão era entre uma candidatura da Nupes e uma da União Nacional, 72% do eleitorado da maioria presidencial optou pela abstenção e apenas 16% votou na Nupes contra a extrema-direita, tendo 12% votado na candidatura do partido de Le Pen. No mesmo cenário, mas entre o eleitorado dos Republicanos, a abstenção foi menor (58%), com 30% a votarem na União Nacional e 12 na Nupes. Nos duelos entre a Nupes e o Ensemble, segundo a Ipsos, 35% do eleitorado republicano absteve-se, 60% votou no Ensemble a 5% na Nupes. Quanto ao eleitorado da União Nacional, 52% absteve-se,  30% votou na Nupes e 18% no partido de Macron.

Notícia atualizada às 23.03 de 19/06/2022 com os resultados conhecidos.

Termos relacionados Internacional
Comentários (1)