Medo dos cortes foi substituído pela expectativa do direito reconquistado

21 de julho 2017 - 2:42

No largo da Afurada, em Gaia, Catarina Martins falou sobre a sessão legislativa e as conquistas do Bloco de Esquerda: “Hoje, quando alguém liga o rádio, não liga com medo do corte que vai ter, mas sim com a expectativa do direito reconquistado”.

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Catarina Martins numa sessão em Gaia. Foto Esquerda.net.

Com a foz do rio Douro como pano de fundo, a coordenadora bloquista fez um balanço da última sessão legislativa, e referiu as conquistas nas pensões e salários, nas condições do trabalho, e os passos dados na reforma florestal.

Para Catarina Martins, "o Bloco de Esquerda tem estado a nível nacional envolvido num trabalho que é muito duro", o "de construir todos os dias uma maioria que possa permitir melhores condições ao país”.

“Conseguimos contrariar as pressões para o corte nas pensões", assinalou, lembrando que o aumento extraordinário das pensões vai acontecer já em agosto.

A coordenadora bloquista prosseguiu dizendo que, na área do trabalho, o Bloco conseguiu “fazer alterações legislativas para as quais lutámos muito, para combater a precariedade, seja no setor privado, seja no setor público”.

A líder do Bloco destacou ainda a vitória no travão às rendas excessivas na eletricidade, referindo que, “pela primeira vez em Portugal, algumas das rendas da energia foram cortadas".

“O país está mais forte porque as pessoas são mais respeitadas”

Catarina Martins continuou sinalizando as conquistas na área laboral, que estimularam a economia, adiantando que, apesar de haver ainda muito por fazer, “o país está mais forte porque as pessoas são mais respeitadas”.

"Vivemos num país em que quem trabalha horas demais, dias demais, é precário demais e vive com salário de menos. E há tanta gente que está no desemprego, precisa tanto de trabalho, e faria toda a diferença na economia e na produtividade”, disse ainda a líder bloquista.

Sobre os salários, Catarina Martins frisou que “foi importante aumentar o salário mínimo", avançando, contudo, que "este é o momento também de reverter o banco de horas que retira salário a quem trabalha todos os dias neste pais”.

Para a líder do Bloco, este momento político tem de servir para “garantir mais respeito por quem trabalhou toda uma vida, e este é o momento de garantir a reforma por inteiro a quem já tem sessenta anos e trabalha desde criança”.

A deputada afirmou que os salários são ainda muito baixos no país e “que colocar uma criança numa creche custa mais do que ter um filho numa universidade” .

No que respeita à habitação, Catarina Martins defendeu que “precisamos de políticas de habitação pública, precisamos desse direito à habitação das pessoas, tão essencial", apontando que "este foi um ano em que nós revertemos as regras da renda apoiada, para as tornar um pouco mais justas”.

A dirigente bloquista salientou ainda que “na sessão legislativa foi possível proteger as pessoas com mais de 65 anos ou com deficiência dos despejos a que a lei de Assunção Cristas tinha condenado com a nova lei do arrendamento”.

"Há um ano ouvíamos as instituições europeias com toda a arrogância, mas também a direita com aquela pressa de que as coisas corressem mal ao país para lhes poder correr bem a eles — foi talvez das coisas mais feias na política que já se viu —, a dizer 'vai tudo correr mal'. E 'não se pode mexer em nada porque pode ser o descalabro da economia'. Mas, passado um ano, as pessoas sabem que não foi assim, sabem que estas conquistas a ferros de direitos e de dignidade fizeram tão bem à economia", afirmou.

"Foi possível revogar a lei de liberalização dos eucaliptos"

Catarina Martins abordou o tema da floresta, defendendo que, "para além de parar o empobrecimento, há a responsabilidade de construir uma forma diferente de organizar o país".

Na última sessão legislativa, "foi possível revogar a lei de liberalização dos eucaliptos e ter para o futuro uma redução da área do eucalipto em Portugal. Foi possível colocar na lei a necessidade de ordenamento do território florestal, que não é compatível com os apetites insaciáveis das celuloses e que tem de pôr as seguranças das populações em cima da mesa. Foi possível uma legislação para começarmos a fazer o cadastro da floresta”, apontou.

A líder do Bloco referiu ainda a importância de ver aprovado o cadastro da floresta, por forma a poder haver ordenamento do território, “porque sem fazermos um cadastro não é possível ordenar a floresta”.

Alertou, porém, que "houve passos que não foram feitos, e é pena que não tenham sido feitos, como, por exemplo, dar um destino às terras sem dono que não são de ninguém, que estão abandonadas e que, portanto, ardem sempre mesmo que os vizinhos limpem tudo".

"Não desistimos e o banco de terras público será criado, terá de ser criado, porque é essa a responsabilidade de ordenar a floresta, de combater o abandono, se queremos parar as tragédias verão após verão”, rematou.