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Médicos querem mais contratações para a campanha de vacinação

Sindicatos dos médicos dizem que é “inqualificável” e “moralmente condenável” estar a pensar-se em retirar médicos dos centros de saúde para os deslocar para a vacinação. E alertam que a “retoma da atividade” é um grande desafio para o SNS.
Vacinação covid-19 no CVC-Maia II, na Maia, 21 de abril de 2021 – Foto de José Coelho/Lusa
Vacinação covid-19 no CVC-Maia II, na Maia, 21 de abril de 2021 – Foto de José Coelho/Lusa

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) estão a ser ouvidos na Comissão Parlamentar de Saúde esta quarta-feira. Segundo a Lusa, os dois sindicatos insistiram na necessidade de contratar mais profissionais de saúde, não só médicos, mas também enfermeiros e administrativos. Alertaram também que os médicos de família não estão a conseguir acompanhar os seus doentes devidamente nos centros de saúde e nos hospitais.

Retirar médicos dos centros de saúde agrava os dados de morbilidade e mortabilidade

Roque da Cunha, secretário-geral do SIM, frisou a necessidade de fixar os médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), com melhores condições, e lembrou a necessidade de maior investimento no setor.

“É totalmente inqualificável e ética e moralmente condenável a circunstância de estarem a pensar nos médicos e enfermeiros dos centros de saúde para essa vacinação [covid-19]. Retirando os médicos dos centros de saúde não temos dúvida de que os dados de morbilidade e mortabilidade se vão agravar”, afirmou.

Roque da Cunha salientou que é preciso recuperar a atividade atrasada devido à pandemia, pelo que os médicos não devem ser desviados do acompanhamento dos seus doentes. Para exemplificar, afirmou que na última semana identificou, no centro de saúde onde trabalha, dois cancros do cólon e um de mama. Maria João Tiago, também do SIM, que é médica de família, contou que só hoje iniciou, com utentes seus, duas terapêuticas para a diabetes. “Qualquer um dos casos já com lesões no órgão”, disse, avisando que sempre que os médicos de família são colocados noutras tarefas, os seus utentes ficam por vigiar.

Retoma da atividade será um desafio para o SNS

O presidente da FNAM, Noel Carrilho, sublinhou a necessidade de contratar profissionais de saúde, afirmando que a retoma da atividade será “um desafio para SNS que potencialmente poderá ser ainda mais oneroso do que a assistência à covid-19”.

Noel Carrilho insistiu na necessidade de não desviar profissionais, caso contrário a morbilidade e mortalidade não-covid-19 em excesso “serão significativas” e uma parte das situações não será recuperável. “Poderíamos ter diminuído as consequências com um SNS mais robusto. Assim houvesse investimento mais adequado”, afirmou.

O presidente da FNAM alertou ainda para o cansaço dos profissionais de saúde – “solicitados de forma continua para esforço extraordinário” – e afirmou a “necessidade absoluta” de dar descanso a estes médicos “uma vez revertida esta suspensão de direitos médicos”, referindo-se por exemplo à marcação de férias. “Não são situações que se possam perpetuar no tempo, até por uma questão de sanidade dos médicos”, disse.

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