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Matas nacionais: Em 18,6 mil hectares ardidos, apenas 4 foram alvo de intervenções pós-fogo

Em resposta ao Bloco, Governo revela que, da área ardida em 2017, apenas 4 hectares foram alvo de medidas pós-fogo de proteção de solos e águas. Deputado Municipal bloquista na Marinha Grande frisa que “o reforço de meios do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas tem de acontecer já”.
Foto do Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural.

“Estes são os números da vergonha que o Governo tornou públicos nos últimos dias, em resposta a uma pergunta que o Bloco de Esquerda apresentou no primeiro dia de inverno, a 21 de dezembro”, avança Nuno Machado, ativista e deputado Municipal pelo Bloco de Esquerda na Marinha Grande, num vídeo gravado na Mata Nacional de Leiria, no único local que foi intervencionado, no Ribeiro de São Pedro de Moel.

“Esta intervenção aconteceu apenas para calar a população e as organizações que justamente têm vindo a exigir que se protejam os recursos naturais após esta grande catástrofe”, sublinha Nuno Machado, lembrando que o Secretário de Estado da Floresta, Miguel Freitas, visitou o local, tirou “a fotografia para os jornais, mas depois nada mais aconteceu além de algumas ações de voluntariado”.

“Isto significa que toda a área ardida do Pinhal do Rei atravessou o inverno com grande exposição à erosão e com grandes níveis de contaminação dos recursos hídricos com cinzas tóxicas”, alerta.

O deputado municipal bloquista apresentou em dezembro do ano passado uma recomendação à Câmara Municipal da Marinha Grande “para que esta apelasse ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas  (ICNF) no sentido de garantir as medidas de proteção em todas as áreas de risco e disponibilizasse, imediatamente, recursos operacionais municipais para reforçar os meios, mas tal nunca aconteceu”.

“Teria sido um contributo importante para enfrentar o inverno”, frisa Nuno Machado.

“O ICNF tem 9 operacionais para cuidar de 30 mil hectares de floresta na nossa região. Isto significa que as matas nacionais estão praticamente abandonadas à sua sorte. Senhor ministro da agricultura e das florestas, Luís Capoulas Santos, assim não vamos lá”, acrescenta o ativista.

Nuno Machado frisa que “o problema não é só a Mata Nacional de Leiria, as matas de nacionais de Pedrogão, Urso, Dunas de Quiaios, Dunas de Vagos, Covilhã e Margaraça também foram muito afetadas pelos fogos em 2017”.

“Só 4 hectares da área ardida é que necessitaram de medidas de proteção de solos e linhas de água?”, questiona.

O deputado municipal do Bloco de Esquerda defende que “temos de ser exigentes com quem tem responsabilidade na gestão das florestas”.

“Não podemos aceitar que se repitam os erros do passado e ter um novo ano com mais uma centena de vítimas do fogo. O Governo tem de exigir que os proprietários da floresta respeitem o ambiente e a população, mas o primeiro a dar o exemplo tem de ser o Estado e por isso as matas nacionais não podem continuar abandonadas”, vinca, rematando que “o reforço de meios do ICNF tem de acontecer já”.

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