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Marisa: “Teimosia de políticas de ataque ao SNS não se traduziu em nada de bom”

Em entrevista ao Porto Canal, Marisa Matias frisou ainda que há “muita gente a empobrecer e a reforçar a sua situação de fragilidade e precisamos de uma resposta forte e robusta do Estado e de uma presidente que possa dar a voz a essas pessoas e lutar por elas”.
Marisa Matias
Marisa Matias. Foto de Paula Nunes.

A candidata presidencial afirmou que é necessário “recentrar o país numa proposta de futuro”. Marisa Matias apontou que esta crise está longe de terminar e são ainda desconhecidas muitas das suas consequências. Neste contexto, defendeu que, não sendo um cargo legislativo, a presidência da República “é um cargo importante para reconduzirmos o país”.

“Não podemos continuar a ter um país em que uma crise atrás de outra nos deixam sempre mais desprotegidos”, vincou, reforçando a ideia de que não podemos “deixar ninguém para trás”.

Marisa Matias referiu que o país “está a fazer por si”, com muitas pessoas na linha da frente a fazer face à pandemia, e que é preciso ver garantida a sua proteção na saúde, os seus direitos laborais, a promoção da igualdade, da justiça.

No que respeita ao setor da Saúde, a candidata presidencial assinalou que, “numa crise pandémica como esta, torna-se ainda mais evidente que não investimos o suficiente no Serviço Nacional de Saúde” e em outros serviços públicos. E repudiou a “teimosia de políticas de ataque a uma das maiores conquistas democráticas”, o SNS, que “não se traduziu em nada de bom”.

Marisa Matias quis deixar uma referência específica aos cuidadores informais que continuam sem reposta, “uma luta que trava há muitos anos”.

“As primeiras pessoas a ficar para trás são aquelas que têm contratos precários”

A candidata presidencial salientou que “as primeiras pessoas a ficar para trás são aquelas que têm contratos precários” e vincou a importância de combater o ataque aos direitos laborais e de assegurar a proteção de quem está mais fragilizado.

“Há muita gente a empobrecer a a reforçar a sua situação de fragilidade e precisamos de uma resposta forte e robusta do Estado e de uma presidente que possa dar a voz a essas pessoas e a lutar por elas”, avançou.

Para Marisa Matias, é imperativo “dar respostas às pessoas, recuperar direitos e dignidade”, dando o exemplo das pessoas mais idosas que estão isoladas “e precisam de um tipo de resposta diferente”. Sobre esta matéria, defendeu que “as respostas públicas devem chegar a todas as idades e a todas as necessidades”, e que devemos garantir uma rede pública de lares.

“É com Marcelo Rebelo de Sousa que estou a disputar este espaço”

Questionada sobre a existência de várias candidaturas, Marisa Matias afirmou que “em democracia não devemos temer a diversidade, a pluralidade e a possibilidade que as pessoas têm de ter vários projetos à sua frente”.

“Temos uma eleição que pode decorrer em duas voltas. Não há razão para circunscrever o espaço democrático e as escolhas logo na primeira volta”, continuou, frisando que a existência de três candidaturas à esquerda pode contribuir para mobilizar todos os votos da esquerda, para que “toda a gente se sinta representada”.

Questionada sobre a candidatura de Ana Gomes, Marisa Matias contrariou a ideia de que existe uma sobreposição. “Conseguimos partilhar durante dez anos o Parlamento Europeu e ninguém questionou que a Ana Gomes representasse o Partido Socialista e eu representasse o Bloco de Esquerda. Temos um papel diferente”, apontou.

A candidata presencial fez questão de assinalar que há muitos pontos e muitas lutas em comum. Mas também que há posições que as distinguem e que justificam o facto de terem sido eleitas para o Parlamento Europeu por partidos diferentes. Dando o exemplo do PEC (Plano de Estabilidade e Crescimento), de normas europeias e Semestre Europeu, Marisa Matias salientou que “percebemos hoje quando estamos a enfrentar esta crise que foi por intervenções dessa natureza que hoje em dia não temos os instrumentos que deveríamos ter para responder à crise”.

Sobre o candidato do Chega, Marisa Matias limitou-se a dizer que “qualquer partido que preze os valores constitucionais tem André Ventura como adversário” e que ver partidos como o PSD a legitimar a extrema-direita “é muito preocupante” e é “um ataque à democracia”. A candidata às próximas eleições presidenciais apontou ainda a responsabilidade de Marcelo Rebelo de Sousa no desfecho do processo político açoriano, ao permitir que haja um governo dependente de um partido que se apresenta abertamente contra a atual Constituição da República.

Marisa Matias clarificou o que distingue a sua candidatura da do atual presidente. A candidata presidencial explicou que em causa está a defesa do SNS, lembrando a pressão de Marcelo Rebelo de Sousa durante a discussão da nova lei de bases de saúde para favorecer os privados, que foram os primeiros a fechar portas quando a pandemia rebentou e que se recusaram a atender mulheres a dar à luz quando estas estavam infetadas.

Marisa Matias enfatizou também que Marcelo “não usou a sua influência e a sua capacidade de intervenção para defender os direitos laborais dos mais protegidos”. “Não assumiu a agenda do trabalho, do combate à precariedade”, lamentou.

A candidata presidencial não partilha ainda “a agenda do presidente da República no que respeita ao sistema financeiro”. Recordando que Marcelo apoiou a venda Novo Banco, Marisa contrapôs que defende um “sistema financeiro ao serviço da população e não a população a continuar a pagar os desvarios do sistema financeiro”.

 

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