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Marisa quer colocar problema da habitação no centro da agenda política

Num encontro com moradoras na Mouraria, Marisa alertou para a realidade de tantas pessoas “que não conseguem viver na cidade” ou “ter rendimentos suficientes para pagar as rendas” e relembrou que é obrigação da Presidente da República defender o direito à habitação, como inscrito na Constituição.
Marisa numa ação de campanha pelo direito à habitação ao lado das moradoras da Rua de Lagares. Foto de Ana Mendes.

Marisa Matias esteve esta quinta-feira à tarde com três das moradoras da Rua dos Lagares, no bairro lisboeta da Mouraria, que em 2016 se organizaram e lutaram pelos seus direitos, depois de uma ordem de despejo que ia colocar na rua 16 famílias de um prédio que seria mais um a converter-se ao alojamento local para turismo e à especulação imobiliária, com preços proibitivos para quem ali viveu toda uma vida. Ao lado de Ana Drago, Marisa elogiou o exemplo de luta daquelas mulheres e que resultou num acordo entre a Câmara Municipal e o proprietário, mas cuja proteção “não dura para sempre”.

A candidata presidencial lembrou que “estamos num contexto de pandemia com períodos de confinamento”, onde nem toda a gente tem as mesmas condições para o fazer e onde encontramos “famílias grandes em casas muito pequenas”, “famílias que não têm recursos para poder aquecer as suas casas” e “pessoas e famílias que nem casa têm”.

Elogiou a lei “absolutamente urgente” que foi aprovada no Parlamento para que ninguém possa ser despejado até junho de 2021, mas esclarece que não se pode confundir uma ajuda com apoios. Mesmo não estando obrigadas a pagar agora as suas rendas como resultado da perda de rendimentos, Marisa lembrou que essas pessoas “estão na mesma a acumular uma situação de divida que poderão não ter como responder”. Acrescentou que é preciso colocar “esta questão no centro da agenda política” porque “o problema da habitação já existia antes, existe agora e vai voltar a existir se nada for feito a seguir à pandemia”.

Para Marisa Matias, outro dos eixos da questão prende-se com a necessidade de “garantir a habitação como direito e tentar libertar a habitação do fenómeno tão persistente e permanente da especulação imobiliária” que continua a colocar tantas pessoas - como as moradoras de Lagares - numa situação em que “não conseguem viver na cidade” e “ter rendimentos suficientes para pagar as rendas”. Esse é, para Marisa, “um problema transversal às nossas vidas” e é preciso “usar todos os meios que temos à nossa disposição para evitar que as pessoas estejam a perder esta batalha com a especulação imobiliária e com o negócio”.

Marisa Matias concluiu com duras críticas a Marcelo Rebelo de Sousa, quando num episódio recente “teve a oportunidade de se pronunciar numa disputa entre a especulação e as pessoas” e Marcelo “tomou o lugar da especulação e não das pessoas”, quando o lugar deve ser “sempre, sempre ao lado das pessoas” e ainda para mais quando “a Constituição tem um direito claríssimo à habitação”.

Estupefação foi também a reação de Marisa quando ouviu relatos de umas moradoras que ali estava e revelou ter escrito ao Presidente da República sobre a luta que levavam a cabo e ele lhes escreveu de volta para que procurassem um advogado.

Outra das moradoras disse ser inadmissível “ganharmos o ordenado mínimo e pedirem-nos 800€ por uma renda” e revelou estarem com a Marisa “porque acreditamos que ela vai fazer tudo pelo direito à habitação se for eleita Presidente da República”. Opinião semelhante foi partilhada por Ana Drago, que reconhece em Marisa um “enorme conhecimento sobre o país” e entende ser “a candidata mais promissora para o país”.

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