Foi apresentado na sexta-feira o Estudo “A situação da Paternidade e do Cuidado na Europa”, encomendado pelo Grupo “A Esquerda” ao Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra por indicação da Marisa Matias e do José Gusmão. Os autores do estudo são Caroline Ignacio, Edinso Ruiz, Ana Carolina da Cunha, Linda Cerdeira e Tatiana Moura.
O estudo conclui que, apesar de a igualdade de género ser um dos valores fundadores da União Europeia e os Estados-Membros estabelecerem como uma prioridade a promoção da igualdade entre homens e mulheres não só mercado de trabalho, mas também no equilíbrio entre vida profissional e familiar, a distribuição igualitária do trabalho de cuidado continua a ser a exceção e não a regra.
Nesse sentido, o estudo explora e analisa as tendências na prestação de cuidados por homens na Europa e tem como principal objetivo contribuir para abordagens teóricas e políticas que compreendam que a igualdade de género, incluindo a prestação de cuidados, constitui um bem social coletivo.
Pretende ainda desenvolver um roteiro de políticas sociais para a igualdade de género e uma maior participação dos homens na prestação de cuidados, não só enquanto imperativo de justiça de género, promovendo relações de género mais saudáveis e igualitárias, mas também como forma de prevenção da violência baseada no género.
O estudo foi apresentado por Tatiana Moura e Linda Cerdeira, duas das suas autoras e foi seguido de debate, com comentários de Gary Barker, CEO da Promundo-US, e de Carla Tavares, presidente da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego.
Durante o debate, foi discutido o impacto da pandemia nas masculinidades e paternidade equitativa a médio e longo prazo e a relação entre os modelos de masculinidade ditos convencionais e não igualitários e o renascimento e fortalecimento de movimentos de extrema direita. Foi, ainda, feito um ponto de situação sobre a realidade portuguesa, sinalizando os principais desafios decorrentes do atual contexto e as práticas promissoras de promoção de paternidades equitativas e cuidadoras.