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Marisa defende reconversão profissional para responder aos desafios do futuro

Marisa Matias esteve ao lado das formadoras precárias do IEFP no Porto, trabalhadoras que continuam com contratos precários apesar de os seus vínculos já terem sido reconhecidos. Uma situação "insólita" na instituição que tutela os direitos laborais, critica.
Marisa ao lado das formadoras precárias do IEFP no Porto. Foto de Ana Mendes

Em campanha pelo Porto, Marisa reuniu durante a manhã com formadoras do IEFP - Serviço de Formação Profissional do Porto (Cerco) -, onde ouviu relatos do trabalho precário vivido por formadoras naquele instituto sob tutela do Ministério do Trabalho, que é quem muitas vezes “dá o pior exemplo”, refere o deputado José Soeiro, que acompanhou Marisa neste encontro.

Isabel Martins, formadora do IEFP, ainda considerada como prestadora de serviços, denunciou a “situação precária que se vive há muitos anos” naquele instituto e onde contratações a tempo certo  resultam numa “continuação permanente”. “Em 40 anos, só este ano tivemos formadores que foram integrados no quadro”. No IEFP desde 2016, Isabel diz não ter qualquer tipo de controlo no seu horário - “eles fazem o meu horário e tenho de estar disponível das 8 às 20h”, “não escolho quando tenho férias e quando as tenho não são férias, são pausas não remuneradas”.

Joana Leite, outras das formadoras, conta que o IEFP delega naquelas trabalhadoras todas as responsabilidades. “Somos mediadoras, marcamos reuniões, fazemos atas, fazemos pontes com as empresas”, lidando com o público até 10 horas por dia mas, “para o IEFP, não sou nada” e, “quando dizemos os problemas, não nos ouvem”.

Relatos semelhantes foram ouvidos por Diana Lage, no IEFP há quase 20 anos, ou por Ana Rosa, com nove anos de trabalho, chegando a ter dias de trabalho em três locais diferentes com deslocações feitas no seu tempo de intervalo.

Para Marisa Matias é “insólito” que no IEFP “durante 40 anos todos os formadores e todas as formadoras trabalharam a recibos verdes, trabalharam com vínculos precários”, já que falamos da “instituição que tutela os direitos laborais” e, “quem faz a formação de profissionais está numa situação de precariedade”.

A candidata presidencial lembrou que “nós tivemos em Portugal programas para a regularização de trabalhadores e trabalhadoras precárias”, que no caso do IEFP “criaram-se as condições para se poderem integrar estes formadores e estas formadoras”. No entanto, isso não aconteceu porque “o número de vagas não correspondeu aos lugares necessários.” Por isso, reforçou que “as leis não podem ficar só no papel, elas têm de chegar às vidas das pessoas e este é um dos casos em que ainda não chegou a muitas formadoras e a muitos formadores”.

Sobre o IEFP, Marisa disse ainda que se trata de “um instituto público que tem uma função essencial na nossa sociedade”, nomeadamente no que diz respeito à reconversão profissional. “É este instituto público que permite reconhecer qualificações de pessoas que não tiveram oportunidade de estudar mas que ao longo da vida acumularam tanta experiência que podem sim ter esse reconhecimento e ir depois para o mercado de trabalho e desempenhar essas funções”, como é o caso das cuidadoras informais. Acrescentou que numa situação de pandemia essa reconversão profissional é ainda mais necessária, para que pessoas possam responder às novas necessidades de hoje mas também do futuro.

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