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Marisa critica “desencontro total” entre os apoios dados e os sacrifícios pedidos às pessoas

No debate das rádios entre candidatos às eleições de domingo, Marisa voltou a defender a requisição de todos os meios de combate à pandemia. E criticou a ausência no debate de quem se esconde para “não dar explicações sobre os ajuntamentos que fez contra as indicações da DGS”.
Marisa Matias no debate das rádios com todos/as candidatos/as às eleições presidenciais de 2021.

No segundo e último debate presidencial entre todos os candidatos - menos um - às eleições presidenciais do próximo dia 24, organizado e transmitido pela Rádio Renascença, Antena 1 e TSF, Marisa Matias disse estarmos a “deparar-nos com o momento mais difícil desde que a pandemia começou” e que “para situações excecionais temos de ter medidas excepcionais”.

A seu ver, isso passa primeiramente por “envolver toda a capacidade instalada de saúde para responder à emergência”, incluindo a capacidade privada e a capacidade social, requisitando-a. Num segundo plano, pediu respostas efetivas àquilo que tem sido um “desencontro total entre aquilo que foram os sacrifícios" pedidos às pessoas e "os apoios para que as pessoas pudessem cumprir essas medidas”. Infelizmente, sublinhou a candidata, para muita gente, seguir as recomendações e parar não é uma possibilidade porque significa deixar de conseguir pôr comida na mesa, como já acontece com tantas famílias. Foi nesse sentido que Marisa explicou que confinamento e apoios têm de andar de mãos dadas. 

Ainda sobre o momento que o país atravessa, “dos mais difíceis da nossa democracia”, insistiu que “a pandemia não só está a trazer-nos problemas sanitários novos” mas “está sobretudo a revelar problemas que já cá existiam”. E destacou a questão da precariedade, uma normalidade à qual não queremos voltar após a pandemia. De igual forma, também em relação ao Serviço Nacional de Saúde pediu respostas exigentes e urgentes para o seu reforço, não só para conseguir responder a esta crise pandémica,  como também para recuperar os quase 1000 médicos que o SNS perdeu em 2020 e os 2600 que se irão reformar nos próximos três anos. 

Sobre o papel e os poderes dos nossos órgãos de soberania, pediu para não subestimarmos o poder que pode ter um Presidente ou uma Presidente “para ajudar a encontrar soluções melhores e que respondam melhor às necessidades que temos pela frente”. Lembrando o mandato de Marcelo Rebelo de Sousa, Marisa afirmou que mesmo não se substituindo ao executivo, “o Presidente também não precisa de fazer pressão para que os privados fiquem na lei de bases de saúde” ou “não precisa de ir a correr concordar com uma lei como a do alargamento do período experimental para seis meses quando nós temos tanta precariedade neste país”.

Confrontada com o voto contra do Bloco ao Orçamento do Estado para 2021, Marisa Matias lembrou que “logo em janeiro percebemos que as medidas não eram suficientes e por isso logo em janeiro o Governo teve que vir com apoios, e bem, para trabalhadores precários, para trabalhadores informais e temporários porque já podiam estar nas medidas do Orçamento. Foi por teimosia que não estiveram, porque elas foram precisas”.

A questão da regionalização foi outro dos temas que marcou este debate, com Marisa a manifestar-se “claramente favorável” já que o poder mais descentralizado “serve melhor as necessidades das pessoas” e lembrou que “basta andarmos pelo país e percebermos que há tanta mas tanta pobreza que está invisível, tanta desigualdade que está invisível e que é preciso que os poderes locais sintam a descentralização e a capacidade de resposta mas com recursos suficientes para poder lá chegar”. A candidata presidencial mostrou-se assim em total desacordo com uma explicação dada por Marcelo Rebelo de Sousa quando durante o seu mandato afirmou que avançar com o processo de regionalização tal como estava era um erro irreversível. “Nem acho um erro e felizmente que nada disto é irreversível”, suspirou Marisa, que lembrou que este ainda é um debate em curso.

Outros dos temas quentes deste debate teve a ver com a solução governativa que foi encontrada nos Açores. Marisa teceu críticas duras a Marcelo Rebelo de Sousa pela “pressa enorme para não se fazer o que se fez quando foi no Governo da República” após as legislativas de 2015, lembrando que nessa altura “se chamou o partido mais votado, houve uma tentativa de se formar um Governo com esse partido, não teve maioria na Assembleia, foi-se então buscar uma alternativa, assinou-se os acordos” e nos Açores não, “passou-se diretamente a uma solução que depende de uma força de extrema-direita”. Marisa rejeitou essa normalização e salientou que o que está em causa é “se um Presidente ou uma Presidente deve ou não deve dar posse a um Governo que tenha um ministro que defende a segregação de uma comunidade inteira ou que defende não tratar pessoas devido à sua cor de pele” e um Governo cuja primeira consequência foi “atacar os mais pobres dos mais pobres e ir contra aquilo que está inscrito na Constituição de combater a pobreza e tratar toda a gente por igual”.

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