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Marisa critica ausência de apoios para que as pessoas possam "cumprir o confinamento com dignidade"

Numa iniciativa de campanha dedicada à resposta à pobreza, Marisa Matias considerou “inaceitável” e “incompreensível” que “ao fim de quase um ano em sistemático anúncio de medidas", nunca se saber nesse momento quais os apoios que irão permitir às pessoas cumprir as exigências que lhes pedem.
Marisa Matias com Manuel Grilo em visita à Associação 2 de Maio, em Lisboa. Foto de Ana Mendes.

Em mais um dia de campanha, desta vez na cidade de Lisboa, Marisa Matias visitou a Associação 2 de Maio, que integra um programa da autarquia lisboeta para garantir refeições a famílias vulneráveis. O “contexto da pandemia trouxe mais gente para uma situação de pobreza” e este é um programa que, em todo o município, chega a cerca de 3600 pessoas diariamente, explicou Marisa. Só aquela associação em particular providencia 200 refeições diárias e o número de idosos isolados a quem o programa chega mais do que duplicou nos últimos tempos.

“Temos de ter medidas de urgência para responder às situações de pobreza crescentes mas dizer também que, no horizonte dos próximos cinco anos, durante o tempo de mandato do/a Presidente da República, não é apenas responder à emergência da pobreza, é também criar as condições para começar a erradicar a pobreza e isso significa apostar não só na criação de emprego, mas de emprego com direitos e com qualidade para evitar que tanta gente sistematicamente caia numa situação como aquela que encontramos aqui”, frisou Marisa.

Numa situação igualmente grave encontram-se os profissionais da cultura, continuou a candidata presidencial, “um dos setores mais fustigados durante esta pandemia” e que continua sem respostas dignas. Segundo Marisa, falamos de “artistas, técnicos, de famílias inteiras que ficaram sem rendimento de um dia para o outro, a quem foram suspensas todas as atividades e que precisam desses apoios”.

Para a candidata, a questão da cultura cruza duas dimensões nas quais deveríamos estar a trabalhar: a da precariedade - "foram as primeiras a ficar de facto sem chão assim que começou a pandemia” - e a da "invisibilidade e do não reconhecimento”, lembrando o sistemático atraso que tem havido nos apoios, “a insuficiência desses apoios e a facto de em muitos casos não ter chegado mesmo apoio nenhum”.

“Não se pode passar para uma situação de confinamento da cultura e não dizer aos artistas, aos técnicos e às pessoas que trabalham nessa área quais são os apoios que vão ter e como é que vão poder aguentar mais estas medidas”, frisou, classificando a situação como “inadmissível”.

Essa foi, aliás, uma das grandes críticas que Marisa Matias fez na sequência das novas medidas de confinamento anunciadas por António Costa. “Tenho-o dito e repito: devemos sempre responder àquilo que são as recomendações das autoridades de saúde. Mas não podemos é continuar ao fim de quase um ano em sistemático anúncio de medidas, de exigências, de confinamentos, de pedidos para que as pessoas possam responder a eles, e não sabermos nunca no momento em que sabemos as exigências novas, quais são os apoios que temos para poder garantir que as pessoas podem cumprir esse confinamento com dignidade e isso preocupa-me muito”, concluiu Marisa.

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