Em declarações à imprensa, Mariana Mortágua informou que “o governo já tornou público que entregará na sexta-feira o seu cenário macroeconómico, que irá enviar a Bruxelas, para que todos os grupos parlamentares possam apreciar esse cenário”. A deputada informou ainda que “é público que esse cenário terá uma alteração da meta do défice para 2018, ou seja, para este ano, indo além da meta do défice que tinha sido acordado com Bruxelas e que estava inscrito no orçamento para 2018”.
Afirmou que o Bloco “vê com alguma incompreensão esta alteração da meta do défice”, já que se está “a falar de 2018”, “de um orçamento que foi negociado ao longo de outubro e novembro de 2017” e que “foi votado em dezembro de 2017, há quatro meses.” “É com estranheza que vemos, quatro meses depois, a intenção do governo de ir além da meta acordada com Bruxelas”, rematou.
Para Mortágua, isto “significa que há verbas disponíveis e há margem orçamental para investir nos serviços públicos e na reposição de rendimentos” e condena que “essas verbas, tão necessárias para hospital e para escolas, não estejam a ser utilizadas para investir no país e nos serviços públicos”.
Considera que esta intenção “é contrária ao compromisso que assumimos quando votámos o Orçamento de Estado [OE] e ao compromisso do reforço de serviços públicos e de reposição de rendimentos”.
“Esta maioria parlamentar assenta num princípio, que é o princípio de que o país sofreu duros golpes com a política de direita nos serviços políticos, no ataque direto aos rendimentos das pessoas, da negociação e da estabilidade da devolução de rendimentos e, todos os anos, nos orçamentos, é isso que negociamos”, afirmou, acrescentando que estas são “negociações duras e intensas”, mas que “têm trazido bons resultados para o país”.
Mariana Mortágua afirmou ainda esperar que os “bons princípios de negociação e de estabilidade dessa maioria parlamentar se mantenham” e que “o compromisso assumido no OE para 2018 seja mantido para que o país cumpra os seus compromissos com Bruxelas” e para que “o OE possa ter margem para investir nos serviços públicos e na recuperação de rendimentos”.