"Estamos completamente disponíveis, dentro daquilo que são todos os instrumentos legais, regimentais, parlamentares, burocráticos, políticos, mediáticos, todos os instrumentos ao nosso dispor, estamos disponíveis para trabalhar convosco e para vos ajudar e para dar voz e megafone à vossa luta", avançou a deputada bloquista perante os cerca de cem trabalhadores da CGD de Paris, que se encontram em greve há 23 dias.
Mariana Mortágua vincou que a CGD deve ser o banco que "respeita os seus trabalhadores", assinalando ser "ilegal" negar-lhes o acesso ao plano de reestruturação do banco.
"Negar-vos o acesso a saber o [vosso] futuro e a negociar e a poder lutar pelo melhor futuro, não só não respeita a lei como é um desrespeito pelos vossos direitos e pela vossa dignidade. Nós estamos aqui para apoiar a vossa luta, pela vossa dignidade e pelos vossos direitos. Têm direito a ter acesso a este plano de reestruturação", assinalou.
De acordo com a dirigente do Bloco, "aquilo que é melhor para a CGD é manter esta sucursal aberta, em funcionamento com os seus trabalhadores a continuar a contribuir para os resultados da Caixa, como têm feito no passado".
Mariana Mortágua acrescentou que "tal como os trabalhadores não têm acesso ao plano de reestruturação, o Parlamento também não teve acesso ao plano de reestruturação", mas somente "a alguns 'powerpoints' com ideias genéricas" nos quais "vinham objetivos de redução de trabalhadores e de redução da presença externa da Caixa no mundo".
"Estas são as imposições da Comissão Europeia e nós sabemos que a Comissão Europeia tem um cadastro de destruir bancos em Portugal e de enviar a conta para os contribuintes pagarem. Portanto, nós sabemos que a Comissão Europeia o que faz, faz por radicalismo ideológico e porque quer e defende ideologicamente a privatização da Caixa e não o faz para defender a CGD", adiantou.
A deputada parabenizou os trabalhadores “por esta greve que é tão longa já e que está a ser feita com sacrifício pessoal".
Já a porta-voz da intersindical FO-CFTC, Cristina Semblano, frisou que "23 dias de greve é muito" e que "há que aguentar e resistir" até que sejam abertas negociações.
Cristina Semblano lembrou que, na semana passada, os trabalhadores em greve foram proibidos de aceder à sede do banco e que "hoje foram abertos os portões para receber a deputada e para darem uma boa imagem".
A representante da FO-CFTC afirmou temer que esta quinta-feira os grevistas "voltem a ser proibidos de entrarem na empresa onde trabalham".