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Marcha contra o fracasso climático: "a voz da sensatez" está na rua

Em Lisboa marchou-se em nome de uma transição climática justa. Catarina Martins exigiu "ação concreta" e "coragem política para fazer frente ao poderosíssimo lóbi dos combustíveis fósseis".

A Marcha contra o fracasso climático saiu às ruas de Lisboa na tarde deste sábado. Centenas de pessoas exigiram o fim das energias fósseis e uma transição climática justa, num momento em que jovens ocupam escolas e em que no Egito a COP 27 parece seguir o mesmo caminho das precedentes.

Presente na manifestação, Catarina Martins sublinhou isso mesmo: "é a 27ª COP e ainda não foi feito nada de concreto, o que quer dizer que neste momento é sobretudo preciso preparar os países e os territórios para salvaguardar as populações das alterações climáticas extremas. E claro não deixar que o aquecimento vá além dos 2 graus que provavelmente já são inevitáveis".

O "poder económico e político" são considerados irresponsáveis porque "têm recusado ouvir a voz da sensatez." Esta, é a de "quem pede ação climática ", "quem está a defender a vida, a defender o planeta". Daí o Bloco mostrar solidariedade com as novas gerações que estão na luta "por todos os seus meios" animados pela "ideia de que temos de ter um futuro, que tem de ser responsável, solidário, coletivo".

São elas que estão a fazer "o grito mais importante que é dizer que é preciso ação já sobre o clima" e a demonstrar "coragem" quando  "é precisa a coragem política para fazer frente ao poderosíssimo lóbi dos combustíveis fósseis".

Seria assim necessária "uma aposta económica diferente no nosso país" que passaria por se fazer uma transição ecológica e energética mas para a qual há "passos simples" que não estão a ser dados. Exemplifica-se: "o nosso país tinha capacidade de ter comunidades de produção de energia que fosse sustentável e não está a fazê-lo porque a EDP e a Galp mandam em tudo,tínhamos condições para investir na eficiência energética e não estamos a investir, havia muitas condições para haver muitos melhores transportes coletivos e muito menos gente dependente do carro e isso não está a ser feito".

Para Catarina Martins, "a luta contra os gigantes dos combustíveis fósseis, da energia, é também a luta pela qualidade de vida de toda a população e pelo rendimento". Já que enquanto a maior parte da população enfrenta o preço da energia a subir "eles estão a enriquecer".

A dirigente partidária foi também questionada sobre a detenção de quatro jovens que estavam a ocupar a Faculdade de Letras, tendo respondido que "as universidades e as escolas são locais de democracia e de debate e não tem nenhum sentido que a direção de uma faculdade ou a universidade mande tirar os seus próprios estudantes". Ao longo dos anos "todas as gerações usaram esse espaço e essa liberdade" e "para a democracia portuguesa essa liberdade é muito importante". Há uma "tradição" no país de "não haver intervenção policial quando estudantes estão na universidade em protestos".

Por isso é "grave" que "não se perceba" que essa presença de protesto "é a essência da própria democracia".

O Bloco garante que face à decisão incompreensível da Universidade "não deixará de a questionar" e que, no Parlamento, cumprirá com a sua ação de fiscalização.

Fora Costa Silva!

Durante o percurso da marcha, algumas dezenas de manifestantes entraram num edifício onde estaria o ministro da Economia, António Costa Silva. Os manifestantes foram retirados pela polícia que formou um cordão policial em frente ao local, enquanto se gritava "Fora Costa Silva".

O ministro tem vindo a ser contestado pelos ativistas ambientais por apoiar projetos de exploração de gás e por ter sido, até há pouco, presidente do Conselho de Administração de uma petrolífera.

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