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Marc Ribot traz canções de resistência a Lisboa

O festival Jazz em Agosto da Gulbenkian vai abrir com um concerto de Marc Ribot. “Songs of Resistance” é uma coleção de músicas anti-Trump, antifascistas e ecologistas que faz ecoar a tradição da música de protesto mas não esquece a atualidade da resistência política.
Foto de cisc1970/flickr

A 01 de agosto vão-se fazer escutar sons de resistência no anfiteatro ao ar livre da Gulbenkian. O guitarrista Marc Ribot vai apresentar ao vivo o seu álbum “Songs of Resistance”.

A Fundação Calouste Gulbenkian anunciou esta sexta-feira que Marc Ribot abrirá o 36º festival Jazz em Agosto, uma edição que, refere a instituição, decorre “sob o signo da resistência e do grito coletivo clamando por um mundo mais justo”. Tema escolhido porque “o jazz soube, em diversas ocasiões, canalizar e potenciar a contestação e a revolta de uma forma impossível de silenciar.”

A partir deste mote, 11 concertos realizar-se-ão até 11 de agosto. Os Heroes Are Gang Leaders, o trompetista Daniel Rosenboom e Burning Ghosts, a flautista Nicole Mitchell, Rui Horta Santos, Ricardo Toscano, Rodrigo Pinheiro, Miguel Mira e Gabriel Ferrandini, o trompetista Ambrose Akinmusire, com o rapper Kokayi e o ensemble Mivos Quartet, os Triple Double, de Tomas Fujiwara e a guitarrista Mary Halvorson também fazem parte do cartaz.

Neste contexto, a presença de Ribot não surpreenderá. Até porque não é a primeira vez que toca neste festival. E “Goodbye Beatiful – Songs of Resistance 1942-2018”, álbum abertamente de protesto, antes de tudo o mais contra Donald Trump e a viragem política que representou, enquadra-se perfeitamente na temática escolhida.

No concerto de Lisboa, Ribot não se fará acompanhar de Tom Waits, Steve Earle e Meshell Ndegeocello, parceiros na gravação. Tocarão Jay Rodriguez, Brad Jones, Ches Smith e Reinaldo de Jesus.

O guitarrista norte-americano esclarece que o disco começou a nascer durante as manifestações do movimento Occupy Wall Street e concretizou-se com a ascensão de Trump ao poder. Porque, pensa, fazem falta canções de protesto para um nova geração de revolucionários e porque um músico começa a sua resistência através da música.

Como o próprio nome indica, este trabalho é uma viagem pela música de resistência que passa por clássicos da luta afro-americana como We Are Soldiers in the Army, até a outro clássico, o hino da resistência italiana ao fascismo, Bella Ciao, aqui cantado pela voz inconfundível de Tom Waits. Para além da reinvenção de clássicos, Ribot traz-nos a atualidade através, por exemplo, de Srinivas, música dedicada a um emigrante sikh assassinado em 2017 por ter sido confundido com um muçulmano e a Rata de dos Patas, da mexicana Paquita la del Barrio, uma música anti-machista aqui dirigida expressamente a Trump.

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