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Mar: filme de Margarida Gil simboliza o drama dos refugiados

Com antestreia e estreia marcadas para o Festival Indie Lisboa, neste sábado e segunda-feira respetivamente, o mais recente filme de Margarida Gil é uma reflexão sobre os refugiados. A partir do dia 16, o filme da realizadora que gosta “de ser combativa” será exibido em várias salas de cinema do país.

A sinopse apresenta-nos simplesmente a história de uma ex-funcionária da Comissão Europeia, viúva, que decide inesperadamente embarcar no À Flor do Mar depois do seu filho se ter ido embora. As personagens, interpretadas por Maria de Medeiros, Nuno Lopes, Catarina Wallenstein, Augusto Amado e pelo artista plástico Pedro Cabrita Reis, uma galeria composta por um traficante de arte sacra, um capitão “charmoso”, uma artista de cabaret e um jovem clandestino africano, vivem “cumplicidades e conflitos a bordo” até que “ocorre a maior traição”.

Contudo, para além da superfície narrativa indicada, esta obra pretende ser mais do que uma reflexão sobre as relações humanas e mergulhar no drama dos refugiados. É a realizadora que o elucida, em declarações à Lusa, ao salientar que a pergunta que o guia é “porque é que a Europa se porta tão mal com os refugiados”.

A sexta longa-metragem de Margarida Gil, segundo a nota explicativa da autora, toma assim a metáfora do veleiro para falar numa Europa que “se encontra à deriva” sem saber “o que fazer com os migrantes clandestinos que arriscam a vida, morrendo aos milhares no mar” e da viagem para falar da “grande Odisseia mítica dos Portugueses do séc. XVI”. Uma viagem que pretende ser feita sem “saudosismo de antigas grandezas” e olhando para “os dois lados da aventura: o glamoroso e romântico imaginário das aventuras marítimas, mas também o lado negro e subterrâneo do ganho ilícito de todo o tipo de tráfego.”

Mar é, portanto, sobre uma deriva em águas agitadas: “a vida e o mundo estão tão em convulsão, que é impossível que um cineasta, com a mania do dever que eu tenho, não refletir”, adianta à Lusa.A cineasta que confessa gostar “de escrever, de pintar, de política e de ser combativa”, remata “um artista não pode deixar de ver quando olha. Foi isso que eu tentei. Ver quando olho, um comportamento diferente face a uma coisa horrível [o desespero dos migrantes]”.

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