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Manuel Resende (1948-2020)

Morreu esta quarta-feira o poeta, tradutor e militante da esquerda revolucionária nos anos 1970. Manuel Resende viu a sua obra reunida em livro em 2018, quando completou 70 anos.
Manuel Resende. Foto publicada na sua página de Facebook.

Nascido em 1948, no Porto, Manuel Resende estudou Engenharia, que nunca exerceu, e era especialista em grego moderno. Foi jornalista durante seis anos no Jornal de Notícias e fez uma carreira de tradutor ao serviço da União Europeia durante vinte anos.

A sua editora, Cotovia, define-o como “um dos maiores poetas portugueses” que “dedicou grande parte da vida à poesia, quer como autor, quer como tradutor”. Para além de poetas gregos como Konstantínos Kaváfis, uma das suas últimas traduções, também traduziu obras como “O Capital”, de Karl Marx, e “A Caça ao Snark”, de Lewis Carroll.

A obra literária de Manuel Resende resume-se a três livros. Estreou-se em 1983 com “Natureza Morta com Desodorizante” e quinze anos depois publicou “Em Qualquer Lugar”. “O Mundo Clamoroso, Ainda” foi publicado em 2004.

“A minha poesia é uma colagem. Tem as mais diversas influências. Desde o Sófocles ao Rui Veloso e ao Sérgio Godinho; tem os Beatles, André Gide, Breton, Cesariny, Jorge de Sena... As coisas mais díspares. E as formas poéticas são as mais desencontradas e aparentemente desconexas. Eu atiro aquilo para lá e de vez em quando começa a sair um soneto, compreende?”, perguntava Manuel Resende a Isabel Lucas, que o entrevistou para o Público em 2018, a propósito da edição de “Poesia Reunida”, o livro em que a editora Cotovia reuniu a sua obra publicada.

Menos conhecido do grande público é o seu ativismo político, marcado pelo Maio de 68 que o levou nos anos 1970 a participar nos Grupos de Acção Comunista, fundando em 1973 a Liga Comunista Internacionalista (LCI, que deu lugar ao PSR anos mais tarde, uma das correntes fundadoras do Bloco de Esquerda).

Numa nota de homenagem publicada nas redes sociais, Francisco Louçã recorda que foi ele o autor das teses sobre situação política e económica discutidas no congresso de fundação da LCI, ainda na clandestinidade. “Era amado pelos seus camaradas e amigos”, acrescenta o fundador do Bloco.

 

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