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Manifesto contra a escalada neoliberal – por uma nova agenda sindical

Foi lançado um Manifesto por uma nova agenda sindical, subscrito por 60 sindicalistas, activistas dos movimentos de precários, investigadores sociais e académicos. A iniciativa está associada a uma conferência internacional marcada para dia 18 de Junho, em Lisboa.

O manifesto Por Uma Nova Agenda Sindical – Contra a Escalada Neoliberal, subscrito por 60 sindicalistas, activistas dos movimentos de precários, investigadores sociais e académicos ligados ao mundo do trabalho, que acaba de ser publicado, é o suporte de um Seminário Internacional que se realizará no próximo dia 18 de Junho, no Auditório do Instituto Alemão (Goethe Institut), em Lisboa (ver programa).

Trata-se de uma tomada de posição que surge da reflexão que tem vindo a ser realizada por um núcleo de investigadores sociais e de sindicalistas, ao longo dos últimos meses. Não se trata nem de uma iniciativa sindical, nem de uma iniciativa exclusivamente académica. Aliás, a associação entre sindicalistas, activistas e investigadores é sublinhada pelo grupo como uma “novidade”.

É um projecto exterior ao movimento sindical e às suas correntes sindicais. Mas tem como alicerce principal o reconhecimento da necessidade de valorizar e defender o movimento sindical como principal e insubstituível organização para a defesa dos trabalhadores, mais importante ainda nestes tempos de ofensiva neoliberal.

É uma iniciativa que partiu da verificação, pelos promotores e signatários, das dificuldades das organizações sindicais em fazerem essa reflexão e questionamento crítico a partir do seu interior, bem como da óbvia impossibilidade de os investigadores sociais o fazerem isoladamente e sem relação com os activismos do mundo do trabalho.

A iniciativa tem ainda a novidade de envolver, tanto no seminário como no manifesto, a participação de activistas dos movimentos de precários, que foram convidados a envolver-se neste projecto por representarem boa parte das gerações mais jovens do mundo do trabalho essenciais ao futuro do sindicalismo e à sua renovação, mas hoje, aparentemente, distantes dos sindicatos.

Uma necessidade de “reflexão urgente”

“Os sindicatos estão numa situação crítica sem precedentes, em Portugal e na Europa, confrontados com sucessivos planos de austeridade que representam um verdadeiro retrocesso social”, lê-se no manifesto.

Segundo os signatários, nas últimas duas décadas os sindicatos definiram em grande medida as suas estratégias e práticas numa lógica defensiva face à agenda liberal. E por isso defendem que “a crise actual e o que se anuncia exige uma profunda reflexão, ancorada é certo nas aquisições da experiência sindical passada, mas capaz de promover novas agendas, estratégias e práticas que reforcem a capacidade dos sindicatos de influenciar realmente os acontecimentos”.

À deriva burocrática e rotineira, dizem, “é preciso responder com o reforço da democracia interna e com a ampla discussão envolvendo a base”. Ao fechamento dos sindicatos é preciso responder com”a abertura e diálogo com outras organizações e associações da sociedade civil, criando sinergias e potenciando a acção comum efectiva”. A relação dos sindicatos com os partidos políticos, que foi sendo historicamente uma constante do movimento dos trabalhadores, “tem de ser repensada”.
 

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