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Manifestações na Tunísia contra autoritarismo do Presidente

Há cerca de dois meses, o Presidente da Tunísia, Kais Saied, demitiu o primeiro-ministro e suspendeu o parlamento. Na semana passada, aprovou um conjunto de decretos que lhe permitem governar sozinho em 30 áreas. Milhares de pessoas manifestaram-se em Tunes.
Tunes, manifestação contra o presidente e em defesa da Constituição, 26 de setembro de 2021 – Foto de Mohamed Messara/Epa/Lusa
Tunes, manifestação contra o presidente e em defesa da Constituição, 26 de setembro de 2021 – Foto de Mohamed Messara/Epa/Lusa

Este domingo, milhares de pessoas manifestaram-se em Tunes, capital da Tunísia, em defesa da Constituição de 2014 e apelando ao “fim do regime de Kais Saied”.

Em julho passado, o Presidente da República, Kais Saied, demitiu o primeiro-ministro, suspendeu o parlamento, impôs o recolher obrigatório e proibiu ajuntamentos.

Na semana passada, Kais Saied publicou um conjunto de decretos que lhe dão poder para governar sozinho por decreto em 30 áreas. Segundo o Público, essas áreas incluem “a organização da justiça e da magistratura”, “a organização da informação, a imprensa e a publicação”, “a organização dos partidos políticos, sindicatos, associações” e o Exército. Kais Saied anunciou ainda que vai elaborar um conjunto de “reformas políticas” com o auxílio de uma comissão por ele designada.

De acordo com a Lusa, as palavras de ordem mais gritadas neste domingo foram: "Constituição, liberdade e dignidade nacional", "a legitimidade passa pelo voto", "unidade, unidade nacional contra o populismo".

"O povo quer, o povo quer... a partida do regime de Kais Saied", cantaram também os manifestantes jocosamente, usando o slogan de Kais Saied que justificou as suas medidas com "a vontade soberana do povo". Os manifestantes gritaram ainda “saia, saia” e apelaram ao “fim do golpe” do presidente. A manifestação juntou cerca duas mil pessoas, refere o “Público”.

O partido Ennahdha, islâmico moderado, tomou posição oficial contra as medidas tomadas pelo presidente e considerou que significam o cancelamento da Constituição de 2014.

Após o Ennadha, os partidos Attayar, Al-Jouhmouri, Akef e Ettakatol tomaram uma posição conjunta, apontando que “o Presidente perdeu sua legitimidade ao violar a Constituição” e afirmando que ele “será responsável por todas as possíveis repercussões desta perigosa medida”.

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