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Manifestações na Rússia prosseguem apesar de detenções em massa

Exclusão de candidaturas oposicionistas às eleições locais em Moscovo está a alimentar vaga de contestação a Vladimir Putin e reação dura das autoridades. Este fim de semana, o terceiro consecutivo com manifestações na capital, mais de 800 pessoas foram detidas.
Protestos em apoio aos candidatos excluídos das eleições à Duma de Moscovo, 27 de julho de 2019. Foto: Ilya Varlamov/Wikimedia Commons.
Protestos em apoio aos candidatos excluídos das eleições à Duma de Moscovo, 27 de julho de 2019. Foto: Ilya Varlamov/Wikimedia Commons.

Mais de 800 pessoas foram detidas este fim de semana na Rússia, no terceiro fim de semana de protestos desencadeados pela exclusão de candidatos de oposição às eleições locais de Moscovo, a realizar em setembro. A assembleia municipal ou Duma de Moscovo é um órgão com pouco peso político, vista pelos oposicionistas sobretudo como uma plataforma para fazer agitação, mas a exclusão das suas candidaturas está a alimentar uma onda de contestação a Vladimir Putin como há muito não se via no país.

No mês passado, a candidatura de Alexey Navalny, conhecido opositor de Putin, a um dos 45 lugares da Duma moscovita foi recusada pela comissão eleitoral, sob a justificação de que haveria irregularidades nas 5 mil assinaturas que cada candidato se tem de apresentar por lei. Lyubov Sobol, uma advogada de 31 anos aliada de Navalny, viu a sua candidatura recusada pelo mesmo motivo, assim como outras figuras oposicionistas. Sobol entrou em greve de fome em protesto. Desde então tem havido manifestações diárias contra a decisão de um núcleo duro de 500 a mil ativistas, que nos fins de semana se alarga. A 20 de julho, cerca de 20 mil pessoas manifestaram-se segundo o jornal Moscow Times — a polícia estimou que seriam dez mil. Este fim de semana, foram entre cinco e dez mil, conforme as fontes.

Os números podem parecer modestos numa cidade de mais de 10 milhões e um país de mais de 140 milhões de habitantes, mas são significativos para os padrões da era Putin, e as autoridades estão a reagir com dureza, detendo centenas de manifestantes. Os detidos arriscam enfrentar acusações de fomentar "distúrbios civis em massa", que dão até 15 anos de prisão. Navalny foi preso entretanto, Sobol foi detida na manifestação deste sábado e apresentada a tribunal. Não obstante os riscos consideráveis para quem se manifesta, a mobilização têm sido grande e as manifestações prosseguem.

Os protesto estão a trazer à tona as fraturas sociais políticas no país, a braços com dificuldades económicas. Os rendimentos reais na Rússia caíram 10% nos últimos cinco anos, o ano passado uma reforma fez cortes nas pensões que alienaram os mais idosos. Sondagens indicam que a taxa de aprovação de Vladimir Putin está nos mínimos desde há vários anos. Segundo o Guardian, o ambiente político no país lembra a última vaga de contestação, em 2011-12, quando "a ilusão de que o país poderia entrar num rumo de liberalização com Dimitri Medvedev se desfez com o regresso de Putin ao Kremlin". Na altura, o impasse foi superado por uma onda de mobilização nacionalista em torno da tomada da Crimeia.

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