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Manifestações esta sexta-feira contra chumbo da resolução para salvar migrantes

O chumbo da resolução do Parlamento Europeu que criava mecanismos de proteção de vidas no Mediterrâneo gerou indignação. Várias ONG juntam-se na convocatória de manifestações de repúdio à decisão que acontecem esta sexta-feira em Lisboa e Porto. Miguel Duarte diz que as propostas do PPE sobre o tema não são aceitáveis.
Barco de migrantes no Mediterrâneo.
Barco de migrantes no Mediterrâneo. Foto de Massimo Sestini/Polaris.

“A morte ganhou”. É com estas palavras que a Humans Before Borders caracteriza o resultado da votação no Parlamento Europeu sobre a criação de mecanismos de proteção de vidas no Mediterrâneo. A ONG lembra que, nos últimos anos, morreram 17.000 pessoas na travessia do Mar Mediterrâneo “porque a Europa não as quis salvar”.

E uma vez que “não aceita a indiferença”, a HuBB junta-se à Frente Unitária Antifascista, ao SOS Racismo, à Assistência Médica Internacional, ao Mira Fórum, à Youth for Human Rights Internacional – Portugal, à Api, à A Colectiva, à Iuventa10, ao Grupo Acção Palestina, ao SPEAK, ao Olhares do Mediterrâneo e ao Refugees Welcome Porto na convocatória de manifestações para a próxima sexta-feira.

No Porto a manifestação está marcada para a Avenida dos Aliados para as 18 horas e em Lisboa para a mesma hora na Praça do Rossio.

Ao jornal Expresso, Miguel Duarte, o ativista português que vai ser julgado em Itália por ter participado em operações de salvamento de migrantes no Mediterrâneo no barco Iuventa, explicou com mais detalhe a razão dos protestos. Trata-se de denunciar a criminalização da ajuda humanitária e os obstáculos colocados por vários países às ações de salvamento mas também manifestar desagrado perante o chumbo da proposta apresentada pela Comissão Parlamentar das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos que propunha o reforço das operações de salvamento e o estabelecimento de mais corredores legais para acolher migrantes.

Miguel Duarte aproveita para explicar a diferença entre esta proposta e a apresentada pelo Partido Popular Europeu na sequência das justificações para chumbar a primeira apresentadas por Nuno Melo e Álvaro Amaro. A proposta do PPE pretendia distinguir “migrante económico” e “refugiado” e reforçar ligações a uma das fações líbias em disputa pelo controlo deste país.

O ativista considera por isso que as propostas do PPE não são aceitáveis, tendo sido chumbadas “com razão”. A “guarda costeira líbia” é acusada de tráfico de pessoas e de vários atentados aos Direitos Humanos documentados pela ONU. Para além disto, “o próprio conceito de ‘autoridades líbias’ é dúbio”.

Um último objetivo é apresentado para as mobilizações da próxima sexta-feira: combater a desinformação sobre os migrantes. Ao mesmo jornal, Miguel Duarte declarou que “ainda existe muita desinformação, há muitos agentes políticos que continuam a culpar os migrantes pelos problemas económicos dos seus países e nesses discursos perde-se a coisa que mais importa, que é o salvamento de vidas humanas”.

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