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Manifestações em defesa da Amazónia em todo o Brasil

Sondagem mostra que 96% dos brasileiros querem que o governo federal aumente a fiscalização para impedir o desmatamento ilegal na Amazónia. Mas Bolsonaro faz precisamente o contrário. Por Luis Leiria.
Foto da NASA mostra o "corredor de fumo" que tem origem na Amazónia e chega ao Sul
Foto da NASA mostra o "corredor de fumo" que tem origem na Amazónia e chega ao Sul

A indignação e comoção generalizadas que os incêndios na Amazónia provocaram na população brasileira estão a dar origem à convocação de protestos por todo o país. As redes sociais são, mais uma vez, o ponto de organização. Já estão confirmadas mobilizações para este fim de semana em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Salvador, Natal, Manaus. A lista completa pode ser consultada aqui.

Revolta e indignação

E a verdade é que os brasileiros têm motivos para mostrar nas ruas a sua revolta e indignação.

Revolta por saberem que a maior parte dos incêndios são queimadas ateadas pelos próprios fazendeiros, para limpar terrenos previamente desflorestados que serão usados como pastagem para o gado.


As primeiras manifestações confirmadas

Indignação pela atitude do governo que primeiro tentou negar as queimadas, dizendo o ministro do Ambiente, Ricardo Salles, que se tratava de fake news. Posteriormente, quando percebeu que não podia negar a existência da onda de incêndios, Bolsonaro optou por pôr a culpa nas ONGs e nos governadores dos estados que compõem a Amazónia legal.

“Transferir responsabilidades não vai acabar com as queimadas”, respondeu o governador Waldez Goes, do Amapá. Goes é presidente do consórcio Amazónia Legal, formado por nove estados, criado para estabelecer uma política preservacionista. Logo no momento em que o governo federal escolheu não fazê-lo.

Maioria quer fiscalização para impedir desmatamento

Uma sondagem do instituto Ibope veio mostrar que, quando se trata da defesa da Amazónia, o povo brasileiro está bastante unido. Perguntados sobre se “o presidente Jair Bolsonaro e o Governo Federal devem aumentar as medidas de fiscalização para impedir o desmatamento ilegal na Amazónia”, 96% dos entrevistados responderam que concordam total ou parcialmente.

Ora Bolsonaro o que está a fazer é precisamente o contrário: flexibilizou o código florestal, desmantelou a fiscalização e até o sistema de controlo das desflorestações instalado pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe), e abriu concurso para uma empresa privada fazer o monitoramento.

No caso das atuais queimadas é fácil constatar o drama, dado o volume e quantidade de incêndios que devastam a Amazónia e outras áreas. Os fogos, e o fumo que soltam, são vistos do espaço. A NASA tem vindo a divulgar fotografias de alta qualidade que mostram claramente as nuvens de fumo libertadas pelos incêndios a atravessar o continente, formando uma espécie de corredor.

Ponto de não retorno

Cálculos do Inpe mostram que cerca de 20% da Amazónia foram desflorestados. Segundo estimativas de especialistas, se se chegar a 40% de desflorestação de um ecossistema de floresta tropical chuvosa, o restante não tem condições de sustentar o funcionamento e entra em colapso.

Imagem da desflorestação na Amazónia
Imagem da desflorestação na Amazónia. Foto da Greenpeace

Caso isso aconteça, “todo o carbono que está armazenado naquela floresta vai para atmosfera, agravando em muito e acelerando em muito as mudanças climáticas", explicou o físico atmosférico Paulo Artaxo, que integra a lista dos 4.000 cientistas mais influentes do mundo, numa entrevista ao G1. “Nós não estamos falando de um aspecto trivial ou de um aspecto que não tenha impacto sério sobre o clima do planeta. É uma questão absolutamente crucial para a estabilidade do clima do planeta – assim como reduzir as emissões de combustíveis fósseis dos países desenvolvidos, em particular dos EUA.”

Para ministro, Merkel e Macron são de esquerda

O governo Bolsonaro, porém, considera que não existem alterações climáticas algumas e que a preocupação da Europa em relação à desflorestação da Amazónia “é uma política para criar barreiras ao Brasil”. Foi o que disse nesta quinta-feira o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni: "Os europeus usam a questão do meio ambiente por duas razões: a primeira para confrontar os princípios capitalistas. Porque desde que caiu o muro de Berlim e desde que a União Soviética fracassou, umas das vertentes para qual a esquerda europeia migrou foi a questão do meio ambiente. E a outra coisa é para estabelecer barreiras ao crescimento e ao comércio de bens e serviços do Brasil.” Como se vê, Lorenzoni considera Angela Merkel e Emmanuel Macron, que pressionarm Bolsonaro na reunião do G-20 em torno da questão ambiental, “de esquerda”!

Manifestação também em Lisboa

Em Lisboa, foi convocada uma concentração em defesa da Amazónia segunda feira, no Largo Camões, pela comunidade 342 Amazônia, a Mídia Ninja, a Extinction Rebellion Portugal, Coletivo Andorinha - Frente Democrática Brasileira de Lisboa, entre outros.

Sobre o/a autor(a)

Jornalista do Esquerda.net
Termos relacionados Governo Bolsonaro, Ambiente
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