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Manifestação no próximo sábado por justiça para Daniel, Danijoy e Miguel

Daniel e Danijoy morreram há um ano no Estabelecimento Prisional de Lisboa. Miguel morreu na mesma prisão a 10 de janeiro. No próximo sábado, dia 17, serão exigidas respostas e justiça para todas as vítimas do sistema prisional. Iniciativa realizar-se-é no Rossio, em Lisboa, às 16h30.
Imagem publicada na página de Facebook O Estado Matou de Novo.

“Um ano de luto, sem Justiça. As famílias de Daniel Rodrigues e Danijoy Pontes - que morreram no dia 15 de setembro de 2021, no Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL) - ainda hoje não têm respostas concretas sobre a causa de morte dos dois jovens. A estas, soma-se a família de Miguel Cesteiro, encontrado morto no Estabelecimento Prisional de Alcoentre, a 10 de janeiro de 2022”, lê-se no evento de Facebook da manifestação “Entraram vivos, saíram mortos”.

A organização da iniciativa sublinha que, “ao contrário do que diz a lei, perante estas três mortes, todas em circunstâncias suspeitas, a Polícia Judiciária não foi chamada ao local”. E afirma que “a demora no acesso aos corpos das vítimas e aos relatórios das autópsias por parte das famílias” é sintomático “da invisibilização produzida pelo estado que condena ao silêncio e ao esquecimento as violações nas cadeias portuguesas”.

Assinalando as inúmeras perguntas que ficaram por responder, os promotores da manifestação referem ainda que “as instituições de justiça portuguesas ignoram o sofrimento e a angústia das mães, filhos e filhas das vítimas do estado, parecendo não se preocupar com o facto de, em Portugal, o tempo médio de duração da pena de prisão ser o triplo da média europeia, e de, nas últimas décadas, Portugal ser dos países onde mais se morre nas prisões e o terceiro com maior taxa de suicídio”. A organização do evento refere ainda as “denúncias sistemáticas de situações de tratamento desumano e tortura nas prisões” e lembra que “os relatórios internacionais confirmam que há perigo de vida nas prisões e que a política de segurança pública e justiça em Portugal produz terror, dor e morte contra pessoas negras, ciganas e pobres”.

Acusando o estado português de seguir “indiferente ao apelo das famílias e da sociedade organizada por justiça e verdade”, os promotores apelam à mobilização “contra a indiferença, pela memória e por igualdade”. A manifestação para exigir justiça por Daniel, Danijoy, Miguel e todas as vítimas do sistema prisional realizar-se-á dia 17 de setembro, às 16h30, no Rossio, em Lisboa.

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