Um conjunto de coletivos feministas tinha apelado a que, na noite do dia sete, se fizesse em Paris uma marcha noturna por “um feminismo popular, anti-racista”. Milhares de mulheres responderam ao apelo e encheram a praça da República. Queriam fazer valer o mote da ação: “a noite e as ruas também nos pertencem!”
Pelas 23 horas, quando as ativistas se sentaram em protesto, a polícia interveio utilizando bastonadas e gás lacrimogéneo, cercando a manifestação e empurrando depois para o metro as manifestantes.
As reações à repressão policial vieram de vários campos políticos. Por exemplo, a presidente da Câmara de Paris, Anne Hidalgo, solidarizou-se com as manifestantes dizendo-se “chocada pelas violências inadmissíveis e incompreensíveis da noite passada na praça da República”.
Charge policière lors de la #marchedenuitfeministe #marchedenuit place de la #Republique #Paris #JourneeDeLaFemme #JourneeDesDroitsDesFemmes - 7 mars 2020 pic.twitter.com/CtuREBfFfM
— HORS-ZONE PRESS (@HZ_Press) March 8, 2020
Magnifiques images de la manifestation féministe nocturne à Paris à la veille de la journée internationale pour les droits des femmes. Même nassées et gazées, la lutte pour nos droits continue plus que jamais ! Merci à elles #JourneeDesDroitsDesFemmes pic.twitter.com/TVlQoly8dT
— Mathilde Panot (@MathildePanot) March 7, 2020
A própria secretária de Estado da Igualdade, Marlène Schiappa, reagiu no Twitter criticamente escrevendo que “todas as mulheres devem poder manifestar-se pacificamente para fazer respeitar os seus direitos”. A governante assegurou que o seu colega ministro do Interior já tinha pedido um relatório à polícia sobre o sucedido.
Images de #ViolencesPolicières de la part des FDO sur les féministes lors de leur marche nocturne hier soir.
Crédits : @TaoualitAmar et @CharlesBaudry #MarcheFéministe #Journeeinternationaledelafemme #Feministes pic.twitter.com/N19EtykrQG
— Impact - média militant (@Impact_militant) March 8, 2020
Várias organizações feministas também manifestaram o seu repúdio face ao sucedido. Anne-Cécile Mailfert da Fundação das Mulheres, confessou-se “aterrada por ver que o ministro do Interior escolheu empregar meios para reprimir as mulheres mais do que reforçar os meios de luta contra as violências machistas”.
Est-on encore en France ? #ViolencesPolicieres #8mars pic.twitter.com/UCnzovkJoN
— Antoine Léaument (@ALeaument) March 8, 2020
A polícia confirmou o uso do gás lacrimogéneo e tentou justificar a sua ação dizendo que já passava da hora prevista para o fim do protesto e que havia “um ambiente hostil às forças da ordem.” Nove pessoas foram detidas.