Manifestação feminista reprimida pela polícia em Paris

08 de março 2020 - 21:32

Na véspera do oito de março, uma marcha feminista noturna juntou milhares de mulheres nas ruas de Paris. A polícia acabou com o protesto à bastonada e com gás lacrimogéneo detendo várias pessoas. A repressão policial gerou indignação de vários setores, incluindo a presidente da Câmara de Paris e a secretária de Estado da Igualdade.

PARTILHAR
Manifestante feminista arrastada pela polícia. Paris, sete de março de 2020.
Manifestante feminista arrastada pela polícia. Paris, sete de março de 2020. Fonte: twitter/Révolution Permanente

Um conjunto de coletivos feministas tinha apelado a que, na noite do dia sete, se fizesse em Paris uma marcha noturna por “um feminismo popular, anti-racista”. Milhares de mulheres responderam ao apelo e encheram a praça da República. Queriam fazer valer o mote da ação: “a noite e as ruas também nos pertencem!”

Pelas 23 horas, quando as ativistas se sentaram em protesto, a polícia interveio utilizando bastonadas e gás lacrimogéneo, cercando a manifestação e empurrando depois para o metro as manifestantes.

As reações à repressão policial vieram de vários campos políticos. Por exemplo, a presidente da Câmara de Paris, Anne Hidalgo, solidarizou-se com as manifestantes dizendo-se “chocada pelas violências inadmissíveis e incompreensíveis da noite passada na praça da República”.

A própria secretária de Estado da Igualdade, Marlène Schiappa, reagiu no Twitter criticamente escrevendo que “todas as mulheres devem poder manifestar-se pacificamente para fazer respeitar os seus direitos”. A governante assegurou que o seu colega ministro do Interior já tinha pedido um relatório à polícia sobre o sucedido.

Várias organizações feministas também manifestaram o seu repúdio face ao sucedido. Anne-Cécile Mailfert da Fundação das Mulheres, confessou-se “aterrada por ver que o ministro do Interior escolheu empregar meios para reprimir as mulheres mais do que reforçar os meios de luta contra as violências machistas”.

A polícia confirmou o uso do gás lacrimogéneo e tentou justificar a sua ação dizendo que já passava da hora prevista para o fim do protesto e que havia “um ambiente hostil às forças da ordem.” Nove pessoas foram detidas.