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Mamadou Ba distinguido com Prémio Front Line Defenders

O juri da organização de defesa de ativistas dos direitos humanos em risco, formado por senadores e deputados irlandeses, atribuiu o prémio da região da Europa e Ásia Central ao ativista da SOS Racismo.
Mamadou Ba
Foto de José Manuel Teixeira, publicada na página de Facebook de Mamadou Ba.

“Mamadou é uma das vozes mais proeminentes do movimento antirracista em Portugal que tem denunciado a proliferação de discursos de ódio. Como tal, ele é também um dos alvos preferidos dos ataques de extrema direita e dos movimentos neonazistas em Portugal”, refere o anúncio da entrega do Prémio Front Line Defenders 2021 a Mamadou Ba.

“Nascido no Senegal, e imigrante em Portugal, Mamadou Ba dedicou sua vida ao ativismo antirracista. Ele é membro do Movimento SOS Racismo desde 1999 e é um dos fundadores de algumas organizações nacionais e europeias que defendem os direitos dos migrantes e das pessoas racializadas”, prossegue a nota, recordando que “em fevereiro de 2021, foi lançado um abaixo-assinado online para destituir a sua cidadania portuguesa e deportá-lo de Portugal” e que “desde junho, a sede do SOS Racismo foi vandalizada duas vezes com suásticas e insultos racistas”.

Na próxima sexta-feira está marcada a cerimónia de entrega do prémio em Lisboa, pelas 20h no Palácio Galveias, com a participação da ex-eurodeputada e candidata presidencial Ana Gomes. Em entrevista publicada este fim de semana no Esquerda.net, Mamadou Ba fala sobre a forma como a colonialidade continua a marcar as relações económicas, sociais e políticas em Portugal.

Em comunicado, a associação SOS Racismo considera que esta distinção “vem reforçar a importância do trabalho anti-racista e da luta por uma sociedade mais justa e igualitária em todo o mundo e sublinha a importância de ativistas como o Mamadou Ba que dedicam a sua vida a esta causa em Portugal e em articulação com organizações internacionais”.

A Front Line Defenders comemora este ano o seu 20º aniversário e continua sedeada em Dublin, onde foi fundada pela antiga diretora da Amnistia Internacional na Irlanda, Mary Lawlor. A ONG tem estatuto de conselheira especial do Conselho Económico e Social e destaca-se pelo seu papel na proteção de ativistas da defesa dos direitos humanos em todo o mundo.

Nos últimos anos, a organização decidiu atribuir anualmente cinco prémios, divididos por regiões do mundo. Em 2021 são seis os laureados. Além de Mamadou Ba, pela região da Europa e Ásia Central são também distinguidos Aleh Hrableuski e Siarhei Drazdouski, do Gabinete para os Direitos das Pessoas com Deficiência na Bielorrússia, ambos detidos em fevereiro durante a repressão do regime de Lukashenko. Pela região das Américas, o prémio vai para Camila Moradia, uma das líderes da luta por moradia no Complexo do Alemão, uma favela no norte do Rio de Janeiro, onde criou o coletivo Mulheres em Ação no Alemão. O movimento de direitos ambientais Mother Nature Camboja, dois jovens palestinianos do movimento Juventude de Sumud, que escoltam pastores e crianças em idade escolar sob ameaça de ataques de colonos e soldados israelitas na região das Colinas do Sul de Hebron, e a presidente da Associação dos Proprietários de Terra Afetados de Malen (MALOA), na Serra Leoa, são os restantes galardoados com os prémios Front Line Defenders deste ano.

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