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Malo Clinic, a empresa de clínica dentária que vai custar milhões aos contribuintes

Paulo Maló criou uma rede de clínicas dentárias presente em 22 países. Para o fazer, acumulou milhões em dívidas. No âmbito da reestruturação da empresa, foi agora afastado e o seu património pessoal está em risco. O Novo Banco é o maior credor. Mas a reestruturação da empresa implicou o perdão de milhões.
Paulo Maló, fundador da Malo Clinic, em Macau, quando lançava aquilo que chamou "o maior spa médico do mundo". Julho de 2017.
Paulo Maló, fundador da Malo Clinic, em Macau, quando lançava aquilo que chamou "o maior spa médico do mundo". Julho de 2017. Foto de CARMO CORREIA/LUSA.

Parecia uma história do sucesso empreendedorista daquelas que se destaca nas páginas de alguns jornais. Em 24 anos, uma nova empresa cresce de modo a conseguir chegar a 66 cidades de 22 países. Mas o outro lado do crescimento da Malo Clinic foi uma dívida de 67 milhões de euros. Nesse âmbito, as ações da empresa passaram das mãos do fundador para as do principal credor, o Novo Banco, e destas, por quatro milhões, para o fundo de capital de risco “Atena Equity Partners”. No passado mês de agosto, foi esta entidade que recorreu ao Processo Especial de Revitalização tendo conseguido um acordo com custos elevados para o Estado.

O acordo de revitalização destas clínicas dentárias faz com que o Estado perca 30 milhões de euros, de maneira direta e indireta. E, no seu conjunto, mais de metade da dívida, à volta de 40 milhões, será perdoada.

Só o Novo Banco, o maior dos 19 credores com 80%, irá perder 25 milhões. A CGD perde 90%, recuperando apenas 6,9 milhões. O grupo deve ainda à Segurança Social 1,7 milhões. Sendo que o valor da dívida que não foi perdoado deverá ser pago em dez anos.

A reestruturação da Malo Clinic levará também ao fecho de clínicas. Em Portugal, está previsto que fechem estabelecimentos em Sintra, Guimarães e Loulé.

Outra das consequências deste processo é o afastamento total do seu fundador. Estava já previsto que Paulo Maló ficasse de fora da administração. Agora sabe-se que também o estará de toda a atividade clínica.

Para além disto, Novo Banco e CGD pretendem executar o património pessoal de Paulo Maló. Este ainda se tentou também instituir como credor da empresa, no valor 2,6 milhões mas esta dívida não foi reconhecida. Apesar disto, vai receber direitos pelos tratamentos que patenteou.

Ao Expresso, por escrito, o empresário queixa-se de ter de pagar o aval dado quando foi afastado da empresa e “a Malo Clinic pode pagar mas não quer”, afirmando que o processo de revitalização “distorce as responsabilidades porque dá a possibilidade à Maló Clinic de fugir ao pagamento” da dívida.

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