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Mais uma dose de “sardinhas” para evitar que Salvini ganhe eleições regionais

O movimento anti-fascista de base regressou este domingo às ruas. Para dizerem não a Salvini, as “sardinhas” manifestaram-se às dezenas de milhar em Bolonha no domingo anterior às eleições regionais de Emilia Romagna.
Manifestação do movimento das sardinhas em Bolonha. Janeiro de 2020.
Manifestação do movimento das sardinhas em Bolonha. Janeiro de 2020. Fonte twitter/ @LarrereMathilde

Uma semana antes das eleições de Emilia Romagna as “sardinhas” saíram outra vez à rua. Entre 35 a 40 mil pessoas concentraram-se em Bolonha contra o líder da extrema-direita italiana Matteo Salvini, dando seguimento ao apelo lançado em novembro por quatro amigos sobressaltados com o crescente discurso de ódio fascista.

Estas eleições regionais ganharam significado nacional com o crescimento da Liga. A extrema-direita ameaça vencer a região tradicionalmente de esquerda e, se tal acontecer, pretenderá arrastar o país para novas eleições. Salvini deixou isso claro no sábado num comício em Maranello: “no dia 27 de janeiro… com a vitória no meu bolso, vou lançar uma ordem de despejo a Conte”.

A recente saída de Salvini do governo, aliás, tinha esse propósito mas um acordo entre o Movimento Cinco Estrelas e Partido Democrático, principal partido social-democrata, impediu que o líder de extrema-direita capitalizasse em eleições legislativas a vitimização que encenara.

Na derradeira semana de campanha, as “sardinhas” voltam assim à praça onde tudo começou. As imagens de sardinhas voltaram agitar-se e voltou a estar tanta gente que a metáfora das sardinhas em lata voltou a ser apropriada.

Um dos criadores do movimento cívico, Mattia Santori, estava satisfeito com a mobilização. Em declarações ao jornal italiano La Repubblica disse mesmo que este pode ser “o dia de viragem da política italiana”. A primeira vitória foi “trazer as pessoas de volta às praças, despertando o senso cívico”. A segunda pode ser derrotar Salvini nas urnas: “seria perturbador” que “uma força de rua que gastou zero euros” fosse a principal força motriz da derrota de um movimento político tão poderoso.

À retórica do ódio, as sardinhas contrapõem “uma praça de música e palavras, nossa maneira de aproximar os cidadãos da política” onde se fala de “paz, discriminação, homofobia e não violência”.

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