Está aqui

Mais de dez milhões de deslocados climáticos em seis meses

Um relatório da Federação Internacional da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho, dedicado à Ásia e ao Pacífico, revela um número recorde de incidentes climáticos com consequências devastadoras.
Imagem do relatório da Cruz Vermelha/Crescente Vermelho.
Imagem do relatório da Cruz Vermelha/Crescente Vermelho.

A Federação Internacional da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho lançou um relatório, intitulado “Respondendo a Desastres e Deslocações num Clima em Mudança” no qual indica que 12,6 milhões de pessoas foram obrigadas a deslocar-se dos seus locais de residência devido a desastres relacionados com o clima.

Dedicado à resposta de emergência na região da Ásia e do Pacífico, este documento assinala o lançamento, em 2020, de 26 operações de resposta a este tipo de incidentes. Helen Brunt, coordenadora da organização para as Migrações e Deslocações nesta zona do globo, sintetiza os resultados a que se chegou: “em apenas seis meses, houve 12,6 milhões de pessoas deslocadas em todo o mundo e mais de 80% destas deslocações forçadas foram causadas por desastres, a maior parte deles despoletados por fenómenos climáticos extremos”. Segundo ela, “a Ásia sofre muito mais do que qualquer outra região” deste problema que atinge “terrivelmente” algumas das “comunidades mais pobres que já sofriam dos impactos económicos e sociais da pandemia de Covid-19”. Esta dificultou ainda mais a chegada de auxílio humanitário às comunidades deslocadas.

O estudo incidiu especialmente em oito países, a partir da resposta da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. Sendo que particularmente grave foi a situação das Filipinas, atingida pela tempestade mais grave do ano passado, o tufão Goni. Em três semanas desse ano, três tempestades de grandes dimensões aconteceram no país resultando em três milhões de refugiados climáticos.

A investigação sublinha ainda que estes fenómenos atingem de modo desproporcional os grupos já mais marginalizados e em risco como mulheres, crianças, idosos, pessoas portadores de deficiência, migrantes e refugiados. Muitos dos desastres climáticos têm implicações económicas e de sobrevivência imediata e outras a longo prazo como problemas habitacionais. Daí que Brunt sublinhe que também o investimento deveria ser feito em “soluções de longo prazo”. A dirigente desta organização não governamental defende que é “precisa maior ação e um investimento urgente para reduzir as deslocações internas causadas pelo aumento de risco de desastres. Investir muito mais nas organizações locais e nas pessoas que respondem em primeiro lugar às crises é decisivo para que haja recursos necessários para proteger vidas, casas e as suas comunidades”, avalia.

Termos relacionados Ambiente
(...)