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Mais 16.600 pessoas em pobreza extrema desde o início da crise

Em março deste ano havia 216.550 beneficiários do rendimento social de inserção, prestação destinada a quem vive em pobreza extrema. Mais 8,3% do que o registado em março de 2020.
"O aumento do número de beneficiários indicia um agravamento muito claro da intensidade da pobreza neste ano de pandemia".
"O aumento do número de beneficiários indicia um agravamento muito claro da intensidade da pobreza neste ano de pandemia". Foto de Paulete Matos.

Desde o início da crise pandémica que os beneficiários do rendimento social de inserção (RSI) aumentam mensalmente. Entre fevereiro e março houve mais de três mil novos beneficiários. Em apenas um ano, são mais 8,3%, o que corresponde a mais 16.636 beneficiários desta prestação acessível para quem vive em pobreza extrema.

A prestação média de RSI por beneficiário está hoje nos 119,47 euros mensais, mais 2,4% do que em Março de 2020, onde se situava nos 116,68 euros. A prestação média por família está agora nos 262,31 euros.

No total, há 101.574 famílias que beneficiam atualmente do RSI. Mais 1.400 do que em fevereiro, e mais 7.626 famílias do que em março de 2020. Mantém-se o padrão de maior impacto de pobreza extrema nas mulheres, que recorrem mais do que os homens ao RSI, e em menores de 18 anos, que perfazem 32,4% dos beneficiários.

Para aceder ao RSI, uma pessoa a viver sozinha não pode ter rendimentos mensais superiores a 189,66 euros. No caso das famílias, terão acesso a esta prestação caso a soma de rendimentos mensais do agregado não seja igual ou superior ao valor máximo de RSI, calculado somando 189,66 euros pelo titulae, mais 132,76 euros por cada indivíduo maior e 94,83 euros por cada menor.

Ao jornal Público, a investigadora Amélia Bastos, do Instituto Superior de Gestão, enfatiza que “são valores de tal forma baixos que o aumento do número de beneficiários indicia um agravamento muito claro da intensidade da pobreza neste ano de pandemia”. Para a investigadora, as estatísticas mensais desde o início da crise pandémica traduzem “um agravamento já esperado, mas ainda assim alarmante” de desigualdades e pobreza.

A Estratégia Nacional de Combate à Pobreza, cuja proposta já foi entregue ao Governo, propõe aproximar as suas prestações aos 540 euros mensais que marcam a linha da pobreza em Portugal, de forma a tornar este mecanismo mais eficaz no resgate das pessoas da situação de pobreza. O Governo não confirmou se acatará ou não a sugestão do grupo de trabalho que nomeou para pensar aquela estratégia. 

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