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Maior manifestação na Tunísia desde queda de Ben Ali

Mais de cem mil tunisinos exigem demissão do governo. Gritos de “Fora Ghannouchi”, “Chega de encenação”, “Vergonha para este governo”. Primeiro-ministro, pressionado, anuncia eleições. Manifiestação também no Egipto.
Manifestantes exigem demissão do governo provisório. Foto do jornal Le Temps

Mais de cem mil tunisinos manifestaram-se esta sexta-feira em Tunes pela demissão do governo de transição liderado por Mohammed Ghannouchi, na maior manifestação desde a queda de Ben Ali, a 14 de Janeiro. As mobilizações da Tunísia foram o ponto de partida da revolta árabe que já causou a queda de Mubarak, no Egipto, está à beira de derrubar Khadafi, da Líbia, e abala seriamente os regimes do Iémene, do Bahrein, da Jordânia. Por enquanto.

A mobilização foi convocada pelo Facebook e realizou-se na sexta-feira, dia de descanso no país. Os manifestantes afirmaram na avenida Bourguiba que a sua revolução não vai ser malutilizada.

Gritavam “Fora Ghannouchi”, “Chega de encenação”, “Vergonha para este governo”. Outros agitavam cartazes onde se lia: “Ghannouchi, a tua insistência mostra que escondes a tua má-fé.”

Pressionado, governo anuncia eleições

No final do dia, o governo transitório chefiado pelo primeiro-ministro Ghannouchi anunciou a realização de eleições "o mais tardar em meados de Julho". Mas o comunicado do conselho de ministros não precisa se se tratam de presidenciais ou legislativas.

"O governo examinou as prioridades políticas" e decidiu que as consultas com os diversos grupos políticos "não devem ultrapassar meados de Março", para que as eleições sejam organizadas "o mais tardar em meados de Julho de 2011", refere o comunicado.

Mohammed Ghannouchi foi primeiro-ministro Ben Ali de 1999 até a sua queda, em 14 de Janeiro. Manteve o cargo no governo de transição.

Egipto: Nova manifestação na Praça Tahrir no Cairo

Milhares de egípcios exigiram também nesta sexta-feira a saída do governo provisório do primeiro-ministro Ahmed Shafiq, apesar de este ter pedido oficialmente "desculpas" pelos erros passados.

Os manifestantes levavam bandeiras e cartazes, e muitos deles tinham as caras pintadas com as cores da bandeira egípcia.

Em muitos cartazes viam-se fotos de alguns dos 300 mortos durante os protestos políticos que acabaram com o regime de Mubarak. Os manifestantes exigiam a formação de um novo governo e o julgamento do ex-ditador, que fugiu para a cidade egípcia de Sharm el-Sheikh, na Península do Sinai.

Shafiq, tal como o ministro das Relações Exteriores, Ahmed Aboul-Gheit, e o da Justiça, Mamdouh Mohey el-Din, foram nomeados pelo próprio Mubarak, tempos antes de ele renunciar, e sobreviveram no governo provisório.

Por isso, os manifestantes exigiram que Shafiq deixe o cargo e ponha fim "à continuidade do regime anterior".

Tunes assiste a maior manifestação desde queda de Ben Ali

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