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Madrid: Morte de imigrante senegalês gera protestos contra racismo policial e institucional

O bairro de Lavapiés, na capital espanhola, foi palco de intensos protestos após o imigrante senegalês Mame Mbaye Ndiaye ter sofrido uma paragem cardiorespiratória na sequência de uma perseguição policial.
Foto LUCA PIERGIOVANNI, Epa.

Mame Mbaye Ndiaye, de 34 anos e nacionalidade senegalesa, morreu na quinta-feira por paragem cardiorrespiratória. Segundo informações prestadas pelo Corpo Nacional de Polícia ao El Diario, Ndiaye encontrava-se na Porta do Sol a vender perfumes com outros colegas quando foi abordado por polícias municipais. O vendedor terá começado a correr, tendo sido perseguido pelas autoridades.

Agentes da Polícia Municipal negaram inicialmente a perseguição. Contudo, a autarquia de Madrid confirmou posteriormente que existiu uma perseguição de 20 minutos, mas esclareceu que as autoridades já não estavam a perseguir o jovem no momento da sua morte.

A morte de Mame Mbaye Ndiaye gerou intensos protestos contra o racismo policial e institucional e a pressão a que dizem estar sujeitos os vendedores ambulantes. Na quinta-feira, centenas de pessoas concentraram-se no bairro Lavapiés. Os manifestantes gritavam "nenhum ser humano é ilegal" e chamavam "assassinos" aos polícias que integravam o dispositivo.

Alguns dos manifestantes lançaram garrafas e outros objetos à Polícia, tendo sido enviados para o local vários elementos da Unidade de Intervenção Policial (UIP). Foram detidas seis pessoas, todas de nacionalidade espanholas, conforme assinalam fontes policiais.

A autarca de Madrid, Manuela Carmena, lamentou nessa mesma noite a morte de Mame Mbaye Ndiaye e anunciou que a autarquia investigará o sucedido e "atuará em consequência".

Já na sexta-feira, o Sindicato de Manteros e Lateros de Madrid (que representa os vendedores ambulantes), do qual Ndiaye fazia parte, organizou uma concentração na praça Nelson Mandela de Lavapiés em memória do imigrante senegalês e em protesto contra "o racismo institucional assassino". Os protestos estenderam-se ainda a Barcelona e Pamplona.

Mame Mbaye Ndiaye vivia em Espanha há 12 anos e encontrava-se em situação irregular. Segundo contam os seus colegas, tentou, por diversas vezes, regularizar a sua situação e obter uma autorização de residência. Fontes da Associação de Sem Papéis de Madrid indicam que o jovem chegou num pequeno barco às Ilhas Canárias.

Polícia Nacional agride brutalmente imigrante senegalês

O El Diario dá conta da situação de um imigrante senegalês, de 38 anos, que foi brutalmente agredido por um agente da Polícia Nacional na praça Nelson Mandela de Lavapiés no âmbito dos protestos. O momento foi registado em vídeo por um vizinho, e tem sido amplamente difundido nas redes sociais.

Ainda que as imagens mostrem que Arona Diakhate foi retirado da praça em ombros por outros agentes da polícia, o mesmo não consta dos registos oficiais de feridos e de detidos.

O El Diario foi encontrar Arona Diakhate no hospital Fundação Jiménez Díaz, diagnosticado com um traumatismo craneoencefálico, com hematomas internos, mas sem risco de lesão neuronal. Levou vinte pontos na cabeça, tem duas contusões.

No relatório médico é relatado que Diakhate tem uma ferida na cabeça causada por um golpe com "um objeto duro e desconhecido".

Depois da denúncia do diário digital, a Polícia, que durante o dia de sexta-feira afirmou não ter dados sobre o caso, reconheceu os factos e explicou que Diakhate foi transladado num carro patrulha desde Lavapiés à delegacia da rua Leganitos, "porque as ambulâncias não podiam entrar na zona onde estavam".

O secretário-geral da Esquerda Unida, Alberto Garzón, exigiu este sábado explicações à delegação do Governo em Madrid sobre a agressão a Diakhate.

Entretanto, foi confirmada a morte de outro imigrante senegalês de Lavapiés. Ousseynou Mbaye sofreu uma hemorragia cerebral na quinta-feira na rua, à hora dos protestos. Mbaye  não apresenta sinais de violência no corpo, segundo informam os serviços médicos. A comunidade senegalesa pede mais detalhes.

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