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Macau: Concentração em defesa da liberdade de imprensa

Os promotores da ação pediram responsabilidades ao Governo local e reuniram com os responsáveis da TDM – Teledifusão de Macau. Como se sabe, seis jornalistas demitiram-se em março, após as diretrizes para aderirem ao “princípio de patriotismo".
Conventração de apoio à liberdade de imprensa em Macau, frente às instalações da TDM, 4 de abril de 2021 – foto de Carmo Correia/ Lusa
Conventração de apoio à liberdade de imprensa em Macau, frente às instalações da TDM, 4 de abril de 2021 – foto de Carmo Correia/ Lusa

Este domingo, 4 de abril, realizou-se em Macau uma concentração de apoio à liberdade de imprensa.

Segundo a Lusa, na iniciativa estiveram presentes Rocky Chan, diretor executivo da ANM (Associação Novo Macau) e os deputados da Assembleia Legislativa (AL) Sulu Sou e Au Kam San.

“Não está apenas em jogo o problema da TDM, (...) o mais importante é o Governo”, declarou Rocky Chan, acrescentando que o executivo “não pode apenas fazer uma declaração de que respeita a liberdade de imprensa e depois não fazer nada”.

A ANM acusou a comissão executiva de ter avançado com uma linha editorial que “proíbe os jornalistas de divulgarem informações e opiniões diferentes das políticas governamentais”. Tal priva a emissora pública de Macau de executar “a missão de monitorizar o Governo e relatar a verdade”, com “os jornalistas a poderem ser reduzidos a meros instrumentos de propaganda governamental”, acrescentou Rocky Chan.

“Hoje entregámos uma carta à TDM a pedir uma reunião com a comissão executiva, para confirmar se houve algumas instruções”, afirmou o diretor executivo da ANM, recordando que a situação na TDM já levou à demissão de seis jornalistas.

“Solicitamos ao Governo de Macau que deixe de fugir às suas responsabilidades na TDM, e tome medidas práticas para salvaguardar e promover ativamente a liberdade de expressão, liberdade de imprensa, bem como a liberdade de pensamento e expressão de cada cidadão de Macau, tal como protegida na Lei Básica”, defendeu a associação pró-democrata, segundo a Lusa.

Os dois deputados da AL presentes empunharam cartazes com as frases “Não censura de notícias” e “Respeite o profissionalismo do jornalismo”. Noutro cartaz lia-se “Você tem medo do vírus ou do vírus da democracia?”

Recorde-se que em março passado, cinco jornalistas portuguesas da Rádio Macau demitiram-se após as diretrizes para aderirem ao “princípio de patriotismo" e de “amor a Macau”, o que na prática significa não publicar notícias contrárias aos interesses da China. Lembre-se também que o Bloco de Esquerda quer posição firme do Governo contra a “tentativa de censura” em Macau.

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