Mélenchon: "A única escolha é lutar pela dignidade"

01 de junho 2013 - 22:30

A Frente de Esquerda associou-se ao protesto internacional com manifestações nalgumas localidades francesas. Em Toulouse, milhares de pessoas ouviram Jean-Luc Mélenchon defender que as correntes da troika serão quebradas pela Europa do Sul.

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Foto Juliette Prados/twitter

O apelo da Frente de Esquerda surgiu na sequência das manifestações de 5 de maio "pela VI República", que mobilizaram outros partidos, associações e sindicatos na crítica ao primeiro ano de mandato de François Hollande na Presidência francesa. Dias depois, Jean Luc Mélenchon anunciava novas iniciativas para este fim de semana, a fim de coincidir com as manifestações "Povos Unidos Contra a Troika".

As concentrações deste sábado juntaram mais de mil pessoas em Nîmes, Amiens e Grenoble, várias centenas noutras cidades e cerca de nove mil em Toulouse, com a presença do co-presidente do Partido de Esquerda. Mélenchon voltou a defender que esta crise "é o resultado de uma política organizada, querida e deliberada" da oligarquia financeira. "Nós somos capazes de virar a página", acrescentou Mélenchon, citado pela France Presse, falando da "catástrofe que avança e já está a atingir de forma muito dura a Europa do Sul".

Mélenchon iniciou o seu discurso com uma palavra de homenagem aos manifestantes em deste sábado em toda a Europa e falou em particular do caso português, assinalando o aumento da exclusão e do desemprego em que estão hoje quase metade dos jovens portugueses. Em seguida falou da necessidade da resistência internacional expressa nas manifestações de sábado, concluindo que "nós somos a Internacional Cidadã contra a Troika". 

Mélenchon referiu-se ainda ao aumento do desemprego em França, prevendo que no fim de 2013 ele atinja mais 300 mil trabalhadores. "Não há outra escolha senão lutar para defender a nossa dignidade", declarou o candidato às últimas presidenciais, sublinhando que "o ser humano é capaz de tudo" e que "os trabalhadores sabem pôr a trabalhar essas fábricas que ninguém quer", repetindo o apelo a um levantamento do povo contra a oligarquia que domina o sistema.

Povos Unidos Contra a Troika juntaram centenas em Paris

Em Paris, algumas centenas de manifestantes de várias nacionalidades responderam ao apelo do Bloco de Esquerda em França, o coletivo Juventud sin futuro Paris e o Comité da SYRIZA em Paris, entre outras associações francesas como a Attac. "O interesse desta manifestação é ela ser europeia e é a compreensão dos cidadãos de que os problemas que estão a atravessar a Grécia, Portugal, Irlanda, Chipre, os países que estão sob o império da ‘troika', mas também os problemas que estão a atravessar países como a França", disse à Lusa a economista Cristina Semblano, representante do Bloco de Esquerda em França. Um dos momentos altos da concentração na Praça do Trocadero, em frente à Torre Eiffel, foi a interpretação da "Grândola, Vila Morena", pela voz de João Rufino, ao qual se juntaram os portugueses presentes.