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Loures: Câmara manda demolir casas, moradores pedem solução

Esta segunda-feira foram demolidas 17 “construções ilegais” no bairro de Montemor, Loures, em processo do executivo. Rita Silva, da Habita, diz que “não é um problema urbanístico de construções ilegais, é um problema social”. Moradores dirigiram-se à Câmara. Bloco vai confrontar o executivo.
Imagem retirada de vídeo da Associação Habita
Imagem retirada de vídeo da Associação Habita

Esta segunda-feira, a Câmara de Loures, de maioria CDU, levou a cabo um processo de demolições de “construções ilegais” no bairro de Montemor, com o apoio da polícia.

Segundo a Associação Habita, a Câmara Municipal de Loures, na passada sexta-feira, afixou um edital nas portas das casas das pessoas dando-lhes 24 horas para demolirem as suas próprias precárias casas. A associação foi contactada por moradores no sábado e esta segunda-feira chegaram máquinas e um forte contingente policial. Entre o moradores estavam uma mulher grávida de 7 meses, que foi levada para o hospital, a sua avó de 70 anos e uma pessoa em cadeira de rodas. No local não havia nenhuma assistente social para acompanhar a situação.

Câmara diz que serviços sociais acompanham moradores

A Câmara Municipal de Loures disse que os moradores estão a ser acompanhados pela Segurança Social e refere a "proliferação de redes de negócio ilegal" com habitações precárias.

O executivo municipal disse à Lusa que "estas construções se encontravam vazias no final da semana, estando até algumas ainda inacabadas". E acrescentou: "Esta ação insere-se no plano de monitorização e fiscalização de núcleos de construção ilegal, que tem como objetivo impedir o aumento deste tipo de construções no concelho de Loures e também a proliferação de redes de negócio ilegais que aliciam famílias em dificuldades para respostas habitacionais precárias nestes locais".

Não é um problema urbanístico de construções ilegais, é um problema social”

Em declarações à TSF, Rita Silva também da Associação Habita afirma:

"O que queremos dizer à Câmara Municipal de Loures é que isto não é um problema urbanístico de construções ilegais, é um problema social. Antes de se desatar a demolir, que foi aquilo que aconteceu hoje. O edital foi colado na sexta-feira, as pessoas não tiveram tempo para se defender".

À pergunta se são barracas ou casas, Rita Silva responde;

"São casas, com tijolos mas com telhado de zinco e que são relativamente recentes, foram construídas durante o período da pandemia. Não podemos esquecer que, durante a pandemia, estamos a testemunhar um aumento de construções abarracadas em muitos lugares da periferia de Lisboa. As pessoas não têm como viver, não têm acesso à habitação, os preços das casas não baixaram e muita gente perdeu a casa nos últimos meses e no último ano".

Rita Silva esclarece ainda que este bairro ocupa uma antiga fábrica que há muitos anos está ocupada por cerca de 100 famílias.

Esta terça-feira, moradores dirigiram-se à Câmara Municipal e pretenderam reunir com o Presidente da Câmara de Loures, Bernardino Soares, da CDU. Até ao meio-dia ainda não tinham conseguido, mas não desistem de exigir solução ao executivo camarário.

Bloco vai confrontar a Câmara na Assembleia Municipal

Rita Sarrico, deputada municipal do Bloco de Esquerda, afirma no Facebook que “várias vezes temos alertado o executivo para as carências habitacionais do concelho”, considera “inaceitável que a Câmara insista nestes despejos” e anunciou que o Bloco de Esquerda vai confrontar a Câmara sobre esta situação na reunião da Assembleia Municipal na próxima quinta-feira.

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