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Loures: Bloco quer eleger um vereador contra a especulação

No comício de abertura da campanha em Loures, Fabian Figueiredo sublinhou os problemas de habitação no concelho e Catarina Martins manifestou-se contra a “desresponsabilização” do poder local que se coloca “como se não tivesse instrumentos para mudar o que está mal”.
Comício autárquico em Loures.
Comício autárquico em Loures.

O Bloco de Esquerda abriu esta terça-feira a série dos comícios eleitorais desta campanha autárquica em Loures. O cabeça de lista a esta Câmara, Fabian Figueiredo, levantou a bandeira do direito à habitação num concelho que faz parte do grupo “onde é mais difícil às pessoas comuns arrendar ou comprar casa” e onde “a subida frenética dos preços não foi acompanhada por medidas fortes e corajosas”, apesar das “insistentes propostas” apresentadas pelo partido.

O candidato bloquista considera que “em certos momentos” terá até havido “um verdadeiro deslumbramento com a especulação imobiliária. De outra forma não se consegue explicar como é que em plena crise habitacional a CDU faça aprovar o Plano de Pormenor do Prior Velho onde cabe um hotel de luxo, centenas de casas de luxo, escritórios de luxo, mas não cabe uma única casa que as pessoas comuns que vivam do seu rendimento consigam pagar”.

Mas o candidato não poupou também a política de habitação do PS: a este partido “não se conhece um único tijolo lançado para travar a especulação imobiliária, mas nestas eleições colocaram cartazes a prometer habitação que as pessoas possam pagar. Registamos a auto-crítica mas não desaparece o cadastro”, avisou.

Para a candidatura do Bloco em Loures, o Plano de Pormenor da Bobadela imposto pelo PS “é um crime ambiental, uma gigantesca irresponsabilidade. Na zona da Várzea avançam os bulldozers para construir habitação de luxo. Nada mais errado. Naquela mesmíssima zona deviam estar-se a plantar árvores” de forma a combater as alterações climáticas. O partido defende “nem mais um milímetro de construção em áreas verdes”.

Fabian Figueiredo terminou a sua intervenção sublinhando que “aqui fizemos e fazemos frente ao ódio e aos seus porta-vozes, na versão tutti-fruti ou nas fotocópias mal tiradas que cá deixou. Aqui hasteamos as bandeiras da igualdade, da empatia e do amor. Como recomendou Saramago: não tenhamos pressa mas não percamos tempo. É tempo de fazer da inquietação que nos move mudança”.

Bloco apresenta-se como "a alternativa de esquerda em Loures"

Antes do candidato à Câmara, a cabeça de lista à Assembleia Municipal de Loures, Rita Sarrico, falou do “trabalho incansável e persistente” feito pelo Bloco ao longo do último mandato e da necessidade de mudança num concelho governado “alternadamente nas últimas décadas” por CDU e PS e que tem estado “estagnado, parado no tempo e com desigualdades gritantes”.

Para ela, as descargas ilegais no Rio Trancão, as escolas sem condições, a questão da habitação e os despejos ilegais durante a crise pandémica não são o “que se espera de uma governação de esquerda, mas infelizmente o PS e a CDU aqui em Loures adotaram demasiadas vezes medidas de gestão que esperaríamos da direita”. Razão pela qual o Bloco se apresenta como “a alternativa de esquerda que quer responder aos problemas da população, que tem a coragem de combater os interesses instalados, que tem a coragem de combater a especulação imobiliária, de colocar a defesa da Escola Pública como uma prioridade, de adotar políticas ecologistas e de proteção do meio ambiente”.

Contra a desresponsabilização, assumir os instrumentos que permitem mudar a vida

Catarina Martins saudou o trabalho realizado em Loures, afirmando que “o Bloco está mesmo a mudar a política autárquica” e que quer “mudar muito mais”.

A coordenadora bloquista também falou da “estagnação” vivida em Loures mas generalizou-a: “depois dos projetos autárquicos iniciais a seguir ao 25 de abril que foram tão importantes, a construção de habitação, fazer saneamento básico, construir serviços, pensar o que havia de ser Portugal na democracia, nos últimos vinte anos temos assistido a uma paralisia da capacidade do poder local de fazer as transformações que contam”.

Nos últimos anos temos assim “assistido a uma certa desresponsabilização permanente do poder local como se nunca tivesse instrumentos para mudar o que está mal, como se o poder local não pudesse fazer outra coisa que não o resignar-se à especulação imobiliária, como se não pudesse fazer nada pelos transportes, sem nenhuma medida de fôlego pelo ambiente”. Ou seja, “temos ouvido o poder local sobretudo a justificar-se da sua incapacidade e a tentar tornar invisíveis os problemas que são gritantes na vida das pessoas”.

Pelo contrário, “o Bloco está nestas eleições para dizer que nunca como hoje as autarquias tiveram os instrumentos legais e mesmo financiamento para resolver os problemas concretos na vida das pessoas”, desde o estatuto dos cuidadores informais, ao PART na questão dos transportes que “dá instrumentos e responsabilidades às autarquias para responderem à necessidade imperiosa de transportes coletivos”, à “nova lei de bases da habitação que consagra esse direito a um tecto a quem não o tem” e que “dá a obrigação, em cada autarquia, de construir alternativas que não coloquem a população nas mãos da especulação imobiliária”.

O partido quer portanto mudar a “discussão que tem sido tida pelos partidos que têm alternado no poder autárquico e falam como quem quer negócios como sempre”. E isso “é especulação imobiliária e menos habitação”. Com a agravante de estarmos agora perante o “anúncio dos milhões disponíveis do programa de recuperação e resiliência que serão também para a habitação.”

Assim, “a pergunta que se vai fazer também em cada concelho” é se queremos os “negócios do costume ou queremos resolver mesmo o problema da habitação”.

Catarina Martins concluiu realçando que em Loures “nem PS nem PCP quiseram responder à crise da habitação, e preferem tornar invisíveis os problemas que são gritantes e está na altura de enfrentar os problemas e de os resolver”. E a “eleição do primeiro vereador do Bloco significa que Loures pode pela primeira vez ter um vereador que leva muito a sério o problema da habitação”.

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