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Louisa Hanoune, secretária geral do PT argelino, ilibada

A dirigente política de esquerda tinha sido condenada a 15 anos de prisão por “complot contra a autoridade do Estado” no mesmo processo de vários dirigentes próximos ao ex-presidente Bouteflika, incluindo o seu irmão. Foi agora absolvida por um tribunal militar.
Louisa Hanoune.
Louisa Hanoune.

Louisa Hanoune, secretária geral do PT argelino, histórica militante de esquerda, deputada em sucessivos mandatos e a primeira mulher candidata à Presidência da Argélia em 2004, era uma carta fora do baralho num processo que juntava várias figuras ligadas ao regime do ex-presidente Bouteflika.

Tinham sido todos condenados a quinze anos de prisão por “complot contra a autoridade do Estado e do exército” mas foram este sábado ilibados por um tribunal militar de recurso e o processo foi considerado anulado.

Saïd Bouteflika, irmão e conselheiro do antigo presidente, era a figura mais conhecida do processo. Vai continuar na prisão a aguardar o desfecho de outros casos em que é acusado de corrupção. Também dois ex-chefes dos serviços de informações argelinos, os generais Mohamed Mediène e Athmane Tartagk, estavam no rol de sentenciados. Estavam detidos desde maio de 2019 e o julgamento que os condenou tinha sido em setembro seguinte.

Uma prisão política

Depois da prisão de Louisa Hanoune, uma onda de solidariedade tinha-se desenvolvido. Em França, por exemplo, cerca de um milhar de ativistas, políticos e académicos tinham protestado considerando-a como uma presa política.

A única base da acusação era o facto de Louisa Hanoune ter sido convocada para uma reunião de consulta por Saïd Bouteflika. Segundo a acusação, aí teriam conspirado para manter o clã Bouteflika no poder e afastar Gaïd Salah da chefia do Exército. Louisa Hanoune era e continua a ser uma adversária política de sempre do ex-presidente, dos seus aliados e do regime. Não detinha poder efetivo em termos militares ou mesmo político. Por isso, a acusação foi considerada desde logo inverosímil.

Na altura, o Partido dos Trabalhadores da Argélia denunciou a “criminalização da ação política independente” e uma medida com vista a intimidar as mobilizações que continuavam a acontecer no âmbito da “primavera argelina”.

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