Los Angeles: meio milhão de alunos sem aulas devido a greve de três dias

23 de março 2023 - 10:13

O sindicato dos trabalhadores não docentes marcou a greve contra os “salários de miséria”. Em solidariedade, o sindicato de professores da cidade juntou-se, paralisando escolas do segundo maior distrito escolar do país.

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Concentração dos trabalhadores não docentes de Los Angeles no primeiro dia da greve. Foto de  SEIU Local 99.
Concentração dos trabalhadores não docentes de Los Angeles no primeiro dia da greve. Foto de SEIU Local 99.

O Service Employees International Union Local 99 representa 30.000 trabalhadores da educação. Esta terça-feira, iniciou uma greve de três dias no Los Angeles Unified School District, o maior distrito escolar da Califórnia e o segundo maior dos Estados Unidos, com 420.000 estudantes. A administração escolar decidiu suspender as aulas.

Depois de mais de um ano de negociações, os motoristas escolares, trabalhadores dos bares, da manutenção e limpeza, assistentes de aula, auxiliares de educação especial, entre outros, passaram à ação contra o que consideram ser os salários de pobreza, pela contratação de mais pessoal, contra o burnout e contra a falta de proteção na doença. Reivindica-se no mínimo um aumento de 30% ao longo dos próximos quatro anos e dois dólares por hora para os trabalhadores que ganham menos.

O luso-americano Alberto Carvalho, superintendente deste distrito escolar, reconhece que estes trabalhadores são mal pagos mas apenas pretendia desembolsar um aumento de 23% ao longo de cinco anos, junto com um bónus de 3% em dinheiro.

Esta terça-feira, para além da greve, os trabalhadores fizeram uma concentração com cartazes onde se podia ler frases como "Exigimos respeito" ou "Chamados de heróis, tratados como zeros". O diretor executivo do sindicato, Max Arias, citado pela Reuters, bateu na mesma tecla: “se o LAUSD [o distrito escolar] nos valoriza verdadeiramente e se está a falar a sério sobre alcançar um acordo, devem mostrar aos trabalhadores o respeito que merecem”.

O sindicato dos professores da cidade, o United Teachers Los Angeles, juntou-se à greve em solidariedade. Em 2019, tinha feito uma greve de seis dias e depois disso conseguiu chegar a um acordo com a administração escolar local. Agora, continua ainda em negociações por aumentos salariais e diminuição do número de alunos por turma. Um inquérito feito no ano passado pelo National Education Association, o maior sindicato do setor, revelou que mais de metade dos professores do país (55%) estavam a pensar deixar a profissão.